Aos dezoito anos, eu tive meu primeiro namorado, mas foi um relacionamento que não durou nem um mês, pois ele terminou comigo alegando que não havia rolado química o bastante entre nós. Bom, da minha parte havia rolado muito sentimento sim, rs, então fiquei meio que obcecado por ele durante algum tempo, vigiando página de recados no orkut e mantendo contato cheio de esperanças, apesar dele ter dito que só queria amizade dali em diante.
Aconteceu que, em uma dessas conversas de amigo, ele me contou que havia se envolvido com um garoto que fez um curso com ele, mas que não deu certo porque esse cara não se sentia à vontade com sua sexualidade ainda. Como quem não queria nada, perguntei o nome do rapaz e ele me falou. Choque. Eu sabia quem era, quero dizer, já havia visto o safado várias vezes na página de recados do meu ex, mas nunca desconfiei de que rolasse alguma coisa entre os dois. O pior de tudo é que o tal rapaz estava bem debaixo do meu nariz, pois estudava na mesma faculdade que eu! Cursos diferentes, mas no mesmo câmpus (que não era muito grande).
Aconteceu que, em uma dessas conversas de amigo, ele me contou que havia se envolvido com um garoto que fez um curso com ele, mas que não deu certo porque esse cara não se sentia à vontade com sua sexualidade ainda. Como quem não queria nada, perguntei o nome do rapaz e ele me falou. Choque. Eu sabia quem era, quero dizer, já havia visto o safado várias vezes na página de recados do meu ex, mas nunca desconfiei de que rolasse alguma coisa entre os dois. O pior de tudo é que o tal rapaz estava bem debaixo do meu nariz, pois estudava na mesma faculdade que eu! Cursos diferentes, mas no mesmo câmpus (que não era muito grande).
No dia seguinte, encarnei o psicopata-mor e fui atrás do tal garoto lá na faculdade, só para vê-lo pessoalmente. Fiquei observando de longe e vi que ele realmente não aparentava ser viado e que também tava longe de ser do tipo bonitão, mas tinha um jeito desajeitado até charmoso - do tipo que só eu gosto, para espanto geral da nação.
Mais um dia se passou e eu resolvi que daria em cima desse garoto só para fazer uma surpresa e provocar meu ex e eu sei, gente, eu sei que isso é uma das coisas mais patéticas que vocês já leram, mas oi, eu tinha dezoito aninhos ainda! Era imaturo, infantil, complexado e carente... E também estava entediado, precisava de um pouco de drama.
Então no dia seguinte eu fui mais uma vez até o bloco em que ele tinha aulas e o fiquei observando de um pouco mais perto, até que ele reparou. Depois que ele olhou algumas vezes, o chamei até mim e me apresentei. Só perguntei o nome, curso que ele fazia, essas coisas básicas, até que ele disse que precisava ir para a sua sala.
Ao fim da aula, voltei lá novamente e, por coincidência, cruzei com ele no corredor. Nos cumprimentamos e ele disse que estava indo embora. Perguntei se ele pegaria ônibus ali em frente e ele disse que sim e me chamou para irmos conversando no caminho, então fui junto.
Continuamos nos apresentando e ele perguntou se eu conhecia o Fulano (só primeiro nome). Tratava-se de um garoto visivelmente gay que também andou deixando recados no orkut do meu ex, por isso eu sabia quem era, mas não conhecia.
- Fulano de Tal? - perguntei, citando também o sobrenome.
- Esse mesmo!
- Conheço não.
Ele riu, mas não estranhou minhas respostas porque já sabia como é esse meio em que as pessoas sabem os nomes umas das outras sem nunca terem se falado e, portanto, não se conhecem.
Atravessamos a avenida, nos sentamos em baixo do ponto de ônibus e continuamos a conversar. Falamos sobre a faculdade, sobre nós mesmos, sobre religião (ele era evangélico), música... E eu até arrisquei tocar no assunto séries de TV, pois achei que ele tinha cara de quem acompanha, rs. Não é que deu certo? Ele adorava! Daí, nem preciso falar que a conversa rendeu pra caramba... De repente, nos demos tão bem que eu nem me lembrava mais de ter raiva ou ciumes daquele garoto. A conversa estava ótima, eu me sentia super à vontade e tinha a sensação de fazer um novo amigo... E como eu não tinha amigos ali na faculdade, foi uma sensação muito especial.
Ele resolveu tentar chegar ao assunto no qual eu ainda não havia tocado: perguntou aonde eu costumo "sair aqui em Goiânia". Falei um lugar ou outro e acabei citando o meio GLS, que eu frequentava na época.
- Preciso de falar uma coisa - ele disse.
- Pode falar - assenti.
- Eu não sou gay.
- Não??
- Não... Mas de boa, eu não tenho nada contra... Tenho amigos gays, inclusive.
Quer saber? Não importava. Pra mim não importava se ele era, se não era, se era e tinha medo de assumir, tanto faz. O importante é que eu conheci uma pessoa legal, nos demos bem e fiquei com a esperança de que poderíamos nos tornar bons amigos. Qualquer conflito de auto-aceitação que ele talvez tivesse, só dizia respeito a ele. Não interessava a mim querer arrancá-lo do armário. Poderíamos ser amigos assim mesmo e eu disse isso.
Continuamos conversando numa boa por mais um tempo, até que o ônibus dele chegou. Ele anotou meu msn e disse que manteríamos contato. Foi embora e eu fiquei ali embasbacado com aquela manhã. Não acreditava que tive a coragem de abordar o garoto que eu não conhecia, que meus motivos iniciais eram tão escrotos e que, mesmo assim, isso teve um desfecho fantástico.
Eu tava adorando.
9 comentários:
Tá vi pelo twitter kkkkk, mas que coisa era essa faculdade!!Tô esperando pela parte 2!rs
Olá!
Conheci seu blog atraves do #prontoblogay...
Curti... adoro ler histórios dos outros (leia-se: fofoqueiro).
Mas vem cá, e aí... vcs ficaram amigos mesmo?
Mas achei tão estranho isso... a atitude dele, falar que não é gay depois de todo esse esquema que vcs naturalmente tiveram...
Ou ele é muito desencanado (conheços varios assim, aqui em SP) ou ele não quis assumir pra vc logo de cara...
De qualquer forma, fiquei curioso..
Bjs, querido!
Ganhou um novo (per)seguidor!
;)
primeiro relacionamente gay é mesmo complicado. eu estou passando por isso agora, não estou oficialmente namorando, mas conhecendo uma pessoa e espero que caminhe pra isso. foda é que por ser o primeiro, a gente fica super ansioso e inseguro, né??... ainda vou escrever sobre esta minha primeira experiência lá no #prontoblogay. aguarde!
só pra avisar que mudei de endereço - www.prontobloggay.blogspot.com
agora é com dois Gs. veja a explicação lá no post atual!
:P
Estes dias lá no cursinho o professor de interpretação de textos falava em "climax".Na hora me veio o seu blog na minha cabeça.Eu fico bobo como você escreve maravilhosamente bem.Eu fico como um bobo aqui, rio - detesto esta expressão do verbo rir -, me envergonho - penso comigo: como ele pode ser tão direto? - e fico ansioso para ler as continuações - você adora nos torturar com os seus "to be continued" - dos textos que escreve por aqui.
Agora quanto ao texto, queria eu ter a coragem que você tem de chegar em alguém.Se tivesse, talvez já teria chegado no garoto do cursinho - que continua me olhando(menos, mas olha e não toma atitude nenhuma).Acho que se eu continuar com essa minha timidez boba, ficarei para titio :(.
Ah, Pablo, muito obrigado!!
Quanto aos "to be continued", não faço só por maldade, mas, na maioria das vezes, pro texto não ficar comprido demais e os leitores ficarem com preguiça de ler! hahaha...
Quanto a ter coragem de chegar nos outros, não sou nada disso, esse caso foi uma exceção... Tava louco de ciumes, hahaha, foi algum psicopata extrovertido que baixou em mim! kkkkk...
Bruno e Gabuh, sejam bem vindos!!
Já vou postar a continuação dessa história.
agora sim entendi, mas não use essa palavra viado, é muito peconceituosa, como disse o nhaí caralha sou seu novo (per)seguidor
bom, pessoas chegam e vão, umas parecem ficar pra sempre, mas são as primeiras a irem!!! Nos meus melhores 2 relacionamentos foi trocado por rashitas, já que os caras não aguentaram a pressão ou não se viam preparados p/ os olhos da sociedade, que bom que se foram, hshs.
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