segunda-feira, 28 de junho de 2010

Hot as Ice

No sábado passado eu fui ao casamento de um primo meu, não muito animado, pois nunca me divirto em festas de família. Geralmente passo a maior parte do tempo sem conversar com ninguém, por falta de assunto e de identificação. Eu nunca tinha nenhuma boa notícia para dar sobre minha vida profissional e também não conversava sobre minha vida pessoal, inclusive por não querer falar sobre minha sexualidade.

Desta vez, entretanto, a noite começou diferente: assim que cheguei, todos vieram me dar parabéns pela minha aprovação no concurso, felicíssimos. Tudo estava tranquilo, mas ainda poderia melhorar. Assim que a cerimônia começou, eu tive uma boa surpresa: enquanto os padrinhos entravam, percebi que um deles era um rapaz lindo. E não era a primeira vez que eu o via na vida.

Há três anos, uma tia avó minha, muito próxima, veio a falecer. No velório, em meio à tristeza, eu tive uma surpresa quando vi aquele rapaz ali. Eu o reconhecia de algum lugar, só não sabia de onde, provavelmente alguma balada, só não tinha idéia de como ele conhecia a minha avó. Logicamente, aquele não era o ambiente adequado para se paquerar alguém, mas é inegável o quanto eu me senti atraído. Ele era muito bonito, um pouco sério, com estilo próprio, desses dos quais a gente fica até com vergonha de se aproximar, sabe? Ainda mais eu, que tinha vergonha de me aproximar de qualquer um. Mas de qualquer forma, pensei que aquilo poderia servir de pretexto para eu puxar conversa qualquer dia, em uma próxima vez que nos víssemos... Exceto pelo fato de que nunca mais nos vimos. A única informação que consegui na época foi a de que ele estava no velório porque morava no mesmo prédio que minha tia avó e que a família dele gostava muito dela. Coincidentemente, minha melhor amiga mora no mesmo prédio e outro dia eu comentei com ela sobre o rapaz, mas ela não o conhecia.

Alguns anos se passaram e, um dia, a noiva do meu primo me adicionou no Orkut. Quando fui olhar as fotos do álbum dela, me deparei com uma foto de sua turma da faculdade e adivinha quem estava no meio? Aquele rapaz, o próprio. Eles haviam se formado juntos. Fiquei na maior expectativa de um dia nos encontrarmos de novo, graças àquela nova ligação, mas eu não tinha tanta proximidade assim com a noiva do meu primo (nem mesmo com o meu primo, não muita), praticamente só os vejo em festas da família. Como tudo isso aconteceu há um bom tempo, eu já nem me lembrava direito. Então, quando vi aquele garoto lindo entrando como padrinho no casamento, tive mais uma surpresa (só depois me lembrei que aquilo já era de se esperar) e concluí que eu não poderia deixar escapar aquela oportunidade de conhecê-lo. No mesmo instante, uma garota tirou uma foto dele e eu percebi que também a conhecia: era uma ex-colega minha da época do ensino médio. Pronto, agora já tinha até uma conhecida em comum que poderia nos apresentar e, com isso junto à minha auto-estima que anda super alta, tudo estava conspirando ao meu favor. Fiquei animado.

Assim que acabou a cerimônia, me juntei a alguns primos para jogar conversa fora enquanto não abriam a pista de dança para eu poder socializar. Enquanto isso, também, aproveitei para começar a tomar um vinhozinho, que me deixa mais sociável, claro. Entretanto, meu primo Pedro, ao meu lado, bebia um pouco mais afoito e de repente já estava super alterado. Ele é da minha idade e sempre foi meu primo mais próximo, desde a infância, mas mesmo assim nunca fui muito aberto sobre minha vida pessoal com ele, pois ele não entenderia. Não que fosse me discriminar, mas ele é completamente sem noção, quero dizer, ele literalmente não entenderia. Quando liberaram a pista de dança, então, fomos dançar (meus primos e eu) e o Pedro estava entusiasmadíssimo, pois terminou com sua namorada há pouco tempo e, como eu também estava solteiro, falou que nós dois iríamos tocar o terror.

Depois de circular pela festa e dançar um pouco na pista, ele e eu fomos pegar bebida no open bar, onde encontrei aquela minha conhecida da época do ensino médio. Nos cumprimentamos super gentilmente, colocamos as notícias em dia, contei sobre minha aprovação no concurso e ela contou que trabalhava com a noiva do meu primo. Quando me viu conversando com ela e suas amigas que estava em volta, o Pedro nos chamou para irmos todos dançar e depois cochichou comigo que eu mandei bem, que ela é linda e pediu para que eu, pelo amor de deus, o enturmasse com aquelas garotas. Que ótimo.

Ficamos ali dançando perto delas, mas eu não quis me aproximar mais, por enquanto. Um passo de cada vez. O Pedro começou a se desesperar, implorando que eu socializasse com elas, mas eu definitivamente não me sentia à vontade. Imaginei que, da mesma forma que ele estava fazendo pressão, achando que eu estava interessado na garota, ela poderia pensar o mesmo se eu continuasse puxando conversa. E se tem uma coisa que eu detesto é quando uma garota pensa que estou interessado nela, e eu não gosto de falar que sou gay só para que elas desencanem. Depois de muita implicância do Pedro, fui objetivo e falei que eu não queria pegar ninguém ali, no que ele quase arrancou os cabelos, sem entender.

Algumas músicas mais tarde, ele finalmente apareceu. O garoto por quem eu estava interessado. Ele veio dançar com suas amigas e eu fiquei olhando. Depois de um tempo, ele percebeu, mas pareceu não ter certeza se era aquilo que parecia. Continuei olhando e ele começou a olhar também. Ficamos nessa situação por um tempo e eu achei melhor não ter pressa. “Deixa o som rolar, deixa a gente se observar um pouco, vamos curtir a festa”, pensei.

Em um momento, saí dali um pouco e fui ao banheiro lavar as mãos e me olhar no espelho para ver se estava tudo dentro dos conformes. Quando voltei, o garoto lindo continuava lá. O Pedro também, agora acompanhado por outro primo meu. Os dois continuavam falando sobre as garotas e aquele rapaz percebeu, mas como eu continuava olhando para ele, ele continuou retribuindo, embora nós dois estivéssemos um pouco acanhados. Naquele momento eu percebi que eu estava com certa vantagem: sou da família do noivo e ele é amigo da noiva. Quando você vai ao casamento de uma amiga, não chega paquerando qualquer cara, certo? Se eu por acaso não fosse gay, ele passaria por um grande constrangimento, então era mais complicado para ele chegar até mim do que para mim, chegar até ele. Então eu é que devia tomar iniciativa, só precisava me livrar dos meus primos.

Pouco tempo depois, o Pedro resolveu ir ao banheiro e meu outro primo também se afastou. Pronto. A troca de olhares começou a ser acompanhada por sorrisos. Já estava óbvio o interesse mútuo. Uma garota começou a conversar com ele e eu fiquei só esperando ela terminar o que tinha a dizer, enquanto ele alternava sua atenção entre ela e eu. Quando eles pareceram terminar o assunto, ele olhou pra mim novamente, sorrindo, e eu o chamei para vir até mim, fazendo um gesto com a mão. Ele veio de imediato.

Nós nos cumprimentamos, ele perguntou meu nome, eu respondi e perguntei o dele. Conversamos um pouco, cheios de sorrisos, até que ele falou que eu sou muito bonito e eu disse que ele também é. Após um silêncio perguntei “e aí?”, hahaha, parece péssimo, mas na hora até que soôu bem. Ele deu uma risada e propôs que déssemos uma volta, então fomos para um canto mais afastado da festa.

Só posso dizer que a partir daí aconteceu um momento maravilhoso. Nós nos beijamos, conversamos, nos conhecemos, demos risadas, e nos beijamos mais um pouco. Ele me contou que, apesar de ser de Goiânia, mora há dois meses em Florianópolis e que só veio para o casamento, então imagina a sorte de termos nos encontrado. Ele disse que gostou muito de mim e eu também gostei dele, é claro. Nos demos super bem e os beijos foram super gostosos.

Mais tarde, eu fiquei com receio de que meus pais pudessem estar me procurando para irmos embora, então falei que era melhor voltarmos para a festa. Feito isso, vi que eles ainda conversavam com meus tios dentro do salão, então ficamos na pista de dança, onde já não havia mais nenhum primo meu além do noivo. Dançamos ali por um tempo, até que a noiva veio chamá-lo para tirar uma foto com ela e meu primo. Ele me chamou para sair na foto também, então o abracei pensando: “Quando eles virem essa foto vão levar um susto, pensando ‘WTF, desde quando eles se conhecem?’”, hahaha... Mas assim que tiramos a foto, a noiva viu que eu estava ali e agiu naturalmente. Ele me contou que é melhor amigo dela e, depois que algumas amigas deles vieram conversar, ele me disse que todos já haviam sacado o que aconteceu, mas eu nem me importei.

Um pouco mais tarde vi que meus pais queriam ir embora, então me despedi dele. Ele falou que queria manter contato, então trocamos número de telefone e nos abraçamos dizendo que gostamos muito um do outro. Ficamos de mãos dadas e eu não resisti. Antes de ir embora, lhe dei um beijo na boca ali mesmo, no meio da pista de dança. Se alguém reparou eu não sei, não comentaram nada comigo, mas também não me importo.

Fui embora daquela que foi a melhor festa de família e melhor festa de casamento na qual já estive. E ele foi um dos meninos mais lindos com quem eu já estive também. Foi uma noite maravilhosa e eu fiquei muito feliz.

12 comentários:

Renato disse...

O rapaz da fotografia é o Mr. Gay Pernambuco 2009, Thiago Falcão.
Escolhi essa foto por causa do traje social (casamento) e porque achei que ele se parece um pouco comigo! Hahaha tanto os traços do rosto como também o penteado.

Isa disse...

e eu consegui imaginar tudo e na minha cabeça foi tão perfeito quanto parece.
Espero que tudo dê certo, boa sorte!

Linda Lohan Naturelli disse...

Nossa, que escândalo!!!

Acredite, teve um que viu o beijo no meio da pista e ele contou pra tudo mundo, inventando umas cositas a mais..., mas não ligue, essas coisas são até bom quando acontece...

Vou te confessar que esperava no final da leitura, vcs 2 acordando com um café da manhã daqueles em algum hotel de GO, e com as pernas bambas!!! hahahaha.

Carol disse...

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Na frente de todo mundo? Oo
Você?
Realmente precisamos conversar!
Surteeeeeeeeeeeeeeeei quando li. kkkkkkkk
Adorei! Adorei!
Eu não vinha mais aqui porque achei que você tivesse parado de escrever...

Lú disse...

eu já mencionei que sou sua fã? *-*
Como disse a isa, eu imaginei tudo!
Adoro suas 'historinhas' :P

Lú disse...

eu já mencionei que sou sua fã? *-*
Como disse a isa, eu imaginei tudo!
Adoro suas 'historinhas' :P

Lú disse...

eu já mencionei que sou sua fã? *-*
Como disse a isa, eu imaginei tudo!
Adoro suas 'historinhas' :P

Anônimo disse...

trabalho novo e um cara que me parece bacana no seu caminho. AÍ, AÍ *suspiros*... o que tu quer mais da vida, hein, rapá??

abraço na boca!

@cmagnolima06 disse...

aH Teu blog é muito massa, adorei...
Obrigado por ter comentado no meu.

Vc escreve muito bem, parabens!

Arthur Beaverhousen disse...

Excelente, se não soubesse que era verdade diria que era escripti de comédia romântica. ahah

No fim das contas todos acham seu respectivo principe encantado! Isso é fato.

Bruno disse...

Que lindo!
Adoro essas coisas de comédia romantica clichê! ADORO!

Espero que dê tudo certo mesmo, com ele. Seria ótimo!

E parabéns pelo novo trampo tbm. ;)

Bjos!

Pablo disse...

[...]Ficamos de mãos dadas e eu não resisti. Antes de ir embora, lhe dei um beijo na boca ali mesmo, no meio da pista de dança. Se alguém reparou eu não sei, não comentaram nada comigo, mas também não me importo.[...]

Ai ai, você me inspira Renato, cada dia que passa, gosto mais do seu blog, sem mais dizeres...