domingo, 19 de agosto de 2018

Os três primeiros, or sort of

Antes eu pensava em um dia escrever um livro autobiográfico cujo título seria "Os três homens que partiram o meu coração". Então eu me lembrava que na verdade havia outros dois, mas não foram tão marcantes quanto os três principais. E depois ainda surgiu mais um, que acabou por se tornar o mais principal de todos. E eu ainda tenho um pouco de dificuldade de definir quantos caras eu amei, de quantos eu apena gostei e com quantos eu namorei. Parece meio absurdo dizer que eu já tive seis namorados. É um número muito grande, né? Sem falar que, daqueles principais, há dois que nem chegaram a ser meus namorados. E ainda surge a confusão para definir quem foi o primeiro. Nessas horas eu queria que minha vida amorosa tivesse sido um pouco mais simples, como em Dawson's Creek, série em que um limitado elenco de adolescentes faz troca de casais ao longo de seis temporadas só para que os produtores não gastassem verba contratando mais atores. Estou brincando, claro (quanto a esse enredo da série, quero dizer).
Enfim, o primeiro dele se chamava Marcelo e foi um menino que se tornou meu amigo quando eu estava no segundo ano do ensino médio, mas em pouquíssimo tempo a amizade chegou ao fim quando meus sentimentos ficaram confusos e ele não sentia o mesmo. Nunca mais nos falamos. Mas no final daquele mesmo ano aconteceu o meu primeiro beijo gay, com outro colega de escola chamado André. Eu não sentia nada por ele além de amizade até então, mas o fato é que, depois de me apaixonar pelo Marcelo e ter o coração partido pela primeira vez, eu comecei a sonhar em encontrar alguém por quem eu sentisse aquilo que senti por ele, mas que me correspondesse o sentimento. E quando finalmente beijei outro garoto, criei a expectativa de que ele pudesse finalmente ser o cara certo. Mas ele também não estava a fim. Então o meu último ano do ensino médio foi bem frustrante nesse campo. No primeiro ano de faculdade eu não tive vida social, os amigos sumiram, alguns se mudaram de cidade e outros simplesmente se afastaram. E o curso que eu havia escolhido, o de publicidade e propaganda, também não me fazia feliz. Questionado pelo meu terapeuta da época sobre que atividade eu realmente gostaria de exercer, respondi que sempre quis fazer teatro, então ele me incentivou a buscar isso e eu busquei. E encontrei. Na primeira oficina que fiz, conheci o Tobias, por quem não me apaixonei, mas que acabou se tornando um dos meus melhores amigos. O meu primeiro amigo gay que não era virtual (tirando o João Luiz, que era gay, mas não sabia ainda). E foi o Tobias que um dia me chamou para ir ver uma peça e chegou lá acompanhado de outro amigo dele que eu ainda não conhecia, o Roger. Nossa primeira troca de olhares já disse tudo. A gente conversou, se conheceu, se gostou e, depois de uma semana e meia, ele me pediu em namoro. Eu aceitei e fiquei incrivelmente feliz, apesar de não saber demonstrar isso muito bem. Dois dias depois de começarmos a namorar, entretanto, ele precisou fazer uma viagem e, quando voltou, era eu quem estava viajando com minha família. Depois que voltei, saímos juntos mais uma vez e depois ele sumiu por uns dias. Então mandou uma mensagem dizendo que precisávamos conversar, aí pronto. Como era difícil nos encontrarmos, um dia eu liguei e ele resolveu que era melhor terminar por telefone mesmo. E eu desliguei sentindo uma flecha atravessando meu peito, embora ainda estivesse em negação. Me agarrei a ideia de que nós só havíamos dado um tempo, então depois de mais ou menos uma semana ou duas eu fui atrás dele. Saí da aula umas onze da manhã, peguei um ônibus até a escola onde ele fazia um cursinho e fiquei esperando por ele na saída. Quando ele apareceu, se assustou com minha presença, disse que precisava ir para a rodoviária pegar um ônibus para ir visitar sua mãe numa cidade vizinha. Eu fui andando com ele até o ponto de ônibus e quando o tempo já estava acabando eu falei que sentia sua falta como namorado e gostaria de que ficássemos juntos de novo. Na minha cabeça, eu achava que ele super iria topar, mas não foi bem assim. Ele pediu para que eu fosse com ele até a rodoviária para podermos ir conversando no caminho e eu aceitei. Mas foi em vão, porque ele só queria me explicar que não sentiu que bateu aquela coisa entre nós e que nossa relação estava mais para amizade. Quando falei que eu não conseguiria lidar com isso, ele disse que talvez fosse melhor não nos vermos mais. Chegamos à rodoviária e eu fui com ele até a fila de embarque do ônibus enquanto ele continuava tentando dizer algo que me fizesse me sentir melhor, até o momento em que eu me cansei de ouvir e lhe virei as costas e fui embora sem sequer me despedir. Quando cheguei em casa, entrei no quarto, liguei o som na maior altura e chorei aos berros.

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