Há pouco mais de um ano atrás eu estava seguro de que minha vida estava nos eixos. Mesmo com o fim de um namoro que me deixou decepcionado, eu não havia perdido o foco em relação a o que eu deveria buscar e que caminho eu deveria seguir. Profissionalmente, eu estava estável, efetivo em um órgão público estadual, sem muito o que fazer por lá, mas aguardando notícias de uma nova oportunidade que viria em breve. Eu estava tranquilo. Minha única angústia era com a vida amorosa, pois o último relacionamento havia despertado em mim um anseio que já estava aposentado (valeu, marisa monte), de se me sentir amado. Eu já havia desistido disso há muito tempo! Mas com o Ricardo, eu me apaixonei de novo, não necessariamente por ele, mas pela vontade de estar com alguém. E logo que o namoro acabou, eu decidi continuar buscando esse alguém, ao contrário das outras vezes em que saí de relacionamentos louco para ter um tempo pra mim mesmo e para curtir vida de solteiro. Eu não queria deixar morrer aquela energia, eu queria continuar romântico, e se o Ricardo não queria me corresponder, eu procuraria alguém melhor... Até que eu achei.
E foi aí que eu parei a história na última vez. Não falei muito sobre ele aqui no blog, foi apenas um ou post ou, no máximo, dois. Tudo aconteceu tão rápido que eu nem tive tempo de explicar o que se sucedeu, pois de repente eu já estava me afogando numa escuridão que não me permitia colocar os pensamentos em ordem, tanto que a partir de então, desde abril do ano passado, o que eu passei a publicar aqui no blog foi uma sequencia de textos desconexos, que traziam assuntos que quase nunca eram retomados depois. Minha cabeça estava uma bagunça. Mas enfim, o garoto em questão era um sul-mato-grossense que morava em São Paulo e estava em Goiânia para passar um feriado. Nós nos esbarramos por acaso em um bar, a atração foi mútua, então nos beijamos e ficamos juntos ao longo da noite, até que ele foi embora. Pediu que eu anotasse seu nome e seu telefone, para entrar em contato depois ou, quem sabe, adicionar no facebook. Ele não pegou nenhum dado meu, pois seu celular havia ficado no hotel. Sabia somente o meu primeiro nome.
Eu não me deixei iludir. Acreditei que, provavelmente, eu não havia sido o primeiro e nem seria o último goiano que ele beijaria nessas terras antes de ir embora. Procurei no facebook, claro, dei uma olhada no perfil, mas não adicionei. Também não liguei no dia seguinte, porque sabia que ele não estaria na capital, iria conhecer uma cidadezinha do interior, mas talvez mais um dia depois, na véspera de seu embarque de volta São Paulo, eu poderia entrar em contato para propor um segundo encontro, just in case. Just in case of what, vocês me perguntam. Bom, talvez o que começou como uma ficada qualquer num boteco poderia virar uma amizade a distância, caso ele fosse realmente interessante como pareceu ser. Tem isso, eu não comentei: ele era muito interessante! Me fez perceber que eu ainda podia manter o nível alto, que ser dispensado pelo Ricardo de todas aquelas formas tão humilhantes não iria mexer com a minha auto estima, que eu ainda tinha muito potencial! Aliás, o que estou dizendo? Ele me fez perceber que eu poderia atingir um nível MUITO MAIS ALTO! Esse garoto era jovem, bonito, despojado, desencanado, estava de chinelos na boate! Até então, a única pessoa do mundo que eu sabia que já havia feito isso era eu mesmo: na The Week, alguns meses antes, quando fui a São Paulo e me hospedei na casa da minha amiga Dani. Quando percebi que eu não tinha nenhum sapato que combinasse com a calça hipster que eu queria usar, segui o conselho da Dani de ir de chinelos e fiquei passado com a sensação gostosa de estar em casa, mesmo num ambiente pesado de badalação. Muita gente apontava, claro, mas ter personalidade o bastante para cagar e andar era tudo. Enfim, aquele garoto parecia ser como eu. Também não estava preocupado, tinha seu estilo próprio, não era bonitinho como essas bichas esforçadas que a gente vê aos montes, tinha barba por fazer, cabelo desajeitado, mas não estava nem aí, pois algum brilho maior ele tinha. E não precisava se enfeitar. Seu papo era inteligente, ele tinha os pés no chão, mas não perdia o bom humor. A própria cantada brega e exagerada que ele me passou, quando me viu pela primeira vez, foi algo que me conquistou. Precisaria ter a cabeça muito boa para dizer algo tão idiota como o que ele disse. O tipo de coisa que só eu também faria. No dia seguinte, quando eu me lembrei do Ricardo, me perguntei por que eu perdi tanto tempo com um namorado tão velho (apesar de pouca idade), cheio de frescuras (arquiteto, porra, pior classe que tem, risos) e doenças... Aquele garoto era outra história, ele sim! Ele era jovem como eu... Ele era uma graça.
2 comentários:
Que bueno que voltou a escrever!
Quero ler aqui peripécias do novo trabalho (quantas!, eu vivo o mesmo!) e sobre o(s) novo(s) amor(es)! =)
(arquiteto, porra, pior classe que tem, risos)
Acabou comigo Renato!!!!
srsrsrsrsss, penso em fazer arquitetura, e as vezes sou um pouco frescurento, velho, kkkkk.
Acho que deve ser o perfil de quem faz, fez ou pretende fazer arquitetura.
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