quinta-feira, 3 de maio de 2012

a little crush


Pois bem, na terça-feira de carnaval eu conheci esse garoto num boteco e no dia seguinte ele iria visitar uma cidade do interior. Na quinta à tarde, ele voltaria a Goiânia e teríamos a última oportunidade de nos vermos de novo antes que ele voltasse para São Paulo na sexta-feira de manhã.
Confesso que eu pensava, sim, em procurá-lo na quinta-feira, mas não criei grandes expectativas, já que, apesar de ter gostado do garoto, eu sabia que ele era só um turista curtindo o passeio. Talvez ele nem se lembraria mais do meu nome, oras bolas. Quer saber? Talvez pensar em um segundo encontro fosse estupidez e o máximo que eu deveria fazer seria adicioná-lo no facebook depois que ele já tivesse ido embora, só para dizer que não me esqueci e etc. Mas tive uma surpresa quando, na quinta de manhã, abri meu facebook e constatei que ELE havia me adicionado! U-hu!
Sem ter sequer ficado sabendo o meu sobrenome, sem termos nenhum mísero amigo em comum, ele me achou. E isso é o de menos, o que eu mais gostei de saber foi simplesmente que ele me procurou! Ele gostou também, ele quis manter contato. Que legal, cara.
Na quinta à noite, eu saía da minha fisioterapia, quando, finalmente, fiz a ligação, dentro do carro. Ele atendeu dentro do ônibus, enquanto ainda voltava para Goiânia.
- Oi, Tony, tudo bem? Aqui é o Renato – falei.
“Oi, Renato!!!” ele respondeu surpreso. Perguntei como foi a viagem e ele disse que foi ótima, que achou a cidade de Goiás linda, mais do que ele esperava. Eu, já sabia, claro (a cidade de Goiás, antiga capital do estado e popularmente conhecida como Goiás Velho, é um maravilhoso patrimônio histórico, sede de muitas festas culturais, badalações no carnaval e um tradicional festival cinema ambiental que traz pessoas de vários locais do mundo todo ano. Eu já trabalhei nesse festival uma vez e também frequento a cidade desde pequeno, por lazer. Foi lá que eu tomei o primeiro porre da minha vida e lá também já vivi uma rápida história de amor, risos). Mas enfim, notas de edição e curiosidades a parte, Tony pareceu feliz com a minha ligação e marcamos de nos encontrar de novo naquela noite. Ele me daria um retorno assim que terminasse de chegar da viagem.
No fim das contas, eu encontrei Tony e seus amigos de Goiânia em um bar que eu também já conhecia, o Posto 15, um ambiente super agradável. Duas amigas dele já estavam cansadas e prontas para ir embora cedo. O amigo que estava com elas iria a uma festa que acontece toda quinta-feira numa boate gay daqui de Goiânia. Tony e eu deixamos que eles fossem embora e nos decidiríamos mais tarde quanto a o que fazer naquela noite. Antes, queríamos apenas conversar melhor um com o outro. Decidimos ir a um café, mas, quando chegamos, a conversa dentro do carro estava tão gostosa que nem nos lembramos de descer. Ficamos ali, conversando sobre a vida de universitário dele em São Paulo, seu passado bucólico no interior do Mato Grosso do Sul, minha vida pacata ainda morando com meus pais em Goiânia, nossos relacionamentos anteriores, ambições para o futuro, enfim. Horas de conversa dentro do meu carro novo, temperadas com nossos beijos deliciosos. Até que decidimos descer e tomar um café, comer um pão de queijo, e ir embora.
Demos uma volta pela cidade, eu lhe mostrei a tal boate aonde o amigo dele foi, mas não quisemos entrar. Chegou aquele momento um pouco constrangedor do encontro, no qual nós dois ainda queríamos passar um tempo juntos, mas não tínhamos aonde ir e as preocupações do dia seguinte começavam a bater. Eu tinha que trabalhar e ele tinha que pegar um avião logo cedo.  OK, isso foi papo furado, não estávamos nem um pouco preocupados com essas coisas. A questão é que não havia mais nada interessante para vermos naquela madrugada goianiense, eu morava com meus pais e ele estava hospedado na casa de uma amiga (no texto anterior eu falei que era em um hotel, mas menti, foi só pra não me delongar). Então ele soltou:
- Bem que você podia morar sozinho, né?
Silêncio. O que eu mais temia.
No fundo, eu sabia que aquilo era inevitável. Que qualquer cara naquela situação estaria pensando em esticar a noite, menos eu. Eu podia não estar realmente preocupado em ter que acordar cedo no dia seguinte, mas definitivamente estava preocupado com aquela intimidade forçada que a situação pressionava contra nós. Eu sei que isso é papo de garota, mas eu não estava pensando em transar. Por mais que eu estivesse interessado pelo Tony, nós tínhamos acabado de nos conhecer. Eu definitivamente não sou como os outros caras. Definitivamente não sou como os outros gays. E isso às vezes me machucava bastante, queria não ter toda essa frescura, queria poder simplesmente oferecer o que eles querem, querer o mesmo, viver o instinto, me despreocupar.
Dei aquela risadinha mais sem graça do mundo e continuamos em silêncio até a porta do prédio da amiga dele. Nos despedimos com carinho e ele foi embora. Saí dali com raiva, pensando em por que eu não podia ser igual a todo mundo, que mal haveria em terminar aquele caso direito, ele mora em outro estado e nunca mais iríamos nos ver mesmo!
Cheguei em casa. O apartamento escuro, todos já estavam dormindo, claro. Eu não tinha sono. Liguei meu computador e resolvi passar o tempo, checar meus e-mails e, como não poderia deixar de ser, entrar no meu facebook. Olhei as novidades, os recadinhos, as fotos, se é que havia algo realmente interessante, até que, de repente, uma surpresa. “Tony diz: vai dormir, rapaz.”
Ele também estava online. Começamos a conversar, ele disse que estava procurando apartamento novo em São Paulo e eu disse que apenas havia perdido o sono. Falamos sobre aquela noite (não me lembro de detalhes), então ele resolveu comentar:
- Escuta, quando eu disse que você podia morar sozinho, era mais pra gente poder ficar mais tempo junto, tomar um vinho, sei lá... Não tava pensando necessariamente em sexo. Tô falando isso porque vi que você ficou sem graça na hora.
Damn. Preciso mesmo dar tanta bandeira? Falei que não foi tanto assim (foi, sim), dei alguma desculpa, mas comentei que, de fato, eu lido com isso um pouco diferente da maioria, que sei que qualquer um, numa situação como a nossa, estaria doido pra ir pra cama, mas que eu tenho mais interesse em conhecer as pessoas com calma e deixar fluir naturalmente.
- Pois eu acho que eu sou como você – ele falou. OMG SERÁ??? – Apesar de que às vezes é impossível controlar, rs.
Pronto, não é igual. Mas fiquei feliz por ele se demonstrar compreensivo. O meu medo era que, depois do gelo que eu dei no carro, ele perdesse o interesse, mas senti que ainda havia uma pontinha ali. Talvez ele tivesse o mesmo medo, então resolvi confirmar o que eu ainda sentia e, claro, ver se recebia uma resposta dele:
- Mas eu gostei muito da nossa noite – entreguei. E gostaria de te ver de novo algum dia.
- Eu também gostei. E eu também gostaria de te ver de novo.
Pronto. Pouco depois, ele precisou ir arrumar as malas e eu precisei ir pra cama. Despedimos-nos com carinho e eu fui dormir tranquilo e feliz, com esperança de aquilo ser início de algo que me faria muito bem.

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