Se há uma coisa na qual eu sempre percebi que sou diferente dos outros gays é o comportamento sexual. Desde que comecei a conhecer um pouco mais sobre o universo dos homens que gostam de homens, aprendi que se tratava de um território livre onde o sexo estava liberado para quem quisesse dar e comer até não poder mais. A visão deturpada que eu tinha de mundo, até o início da minha adolescência, era a de que os homens são seres primitivos que gostam de sexo por impulso a qualquer instante e a ordem da sociedade dependesse das mulheres, que regulavam essa atividade com base em seus preceitos morais, para que o mundo não virasse uma orgia desenfreada. Isto é, na minha cabeça as mulheres não gostavam de sexo, só faziam por reprodução e, de certo modo, até o consideravam um ato repugnante e imoral. O que me levou a pensar assim? Eu posso explicar todo o meu processo de formação humana e as observações que fiz na infância que me levaram a ver o mundo dessa forma, mas outro dia. Vamos manter o foco. O fato é que, quando descobri o universo homossexual, por volta dos meus treze ou catorze anos, minha percepção foi a seguinte: já que homens gostam de sexo e a única coisa que os impede de fazer o tempo todo são as mulheres, para os homens que gostam de homens, então, o prolema está resolvido! Ser gay significa poder trepar quando quiser, o quanto quiser! Pronto! Eu mal podia esperar para começar a frequentar boates gays, encontrar outros homens que também gostassem de homens, para poder finalmente iniciar a minha vida sexual. As mulheres, para mim, representavam complicações e, por gostar de homens, entendi que eu estava livre de complicações. Se eu queria somente sexo, conseguiria sexo num piscar de olhos, já que homens partem logo ao que interessa, não têm frescura. Eu não precisaria ser sutil, não precisaria conquistar ninguém, me provar digno ou merecedor; bastaria deixar claro que eu quero sexo, que eles com certeza também iriam querer, afinal somos homens. E assim eu passaria o resto da minha vida trepando a vontade.
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