sábado, 13 de agosto de 2011

Trying

Bom, queridos, acho que devo explicações. Eu queria escrever bem cuidadosamente sobre o assunto e explicar com profundidade todas as coisas que me trouxeram ao meu atual estado, mas é tudo tão complexo e envolve tantas informações que fica difícil. Já comecei a escrever várias vezes e perdi o fôlego, então agora vou tentar só contar os fatos. É o seguinte, tive uma experiência específica alguns meses atrás que foi um choque pra mim. Senti tanta dor que eu parecia ter levado uma pancada na cabeça. Eu chorava todos os dias, sempre que podia. Passava a manhã toda no trabalho, me segurando, então vinha para casa almoçar, mas antes corria pro meu quarto para chorar tudo o que eu conseguisse, depois enxugava o rosto e ia almoçar com meu pai e minha irmã, sem que eles percebessem o que eu havia acabado de fazer. Depois eu trabalhava a tarde toda, voltava pra casa e chorava mais, até alguém mais chegar aqui e eu, novamente, disfarçar o meu estado. Nunca gostei de expor minhas angustias para as pessoas ao meu redor, sempre fui mestre em fingir que tudo está bem. Mas dessa vez foi mais forte do que eu. O dia em que isso ficou mais evidente foi numa sexta-feira em que meu pai convidou alguns primos meus para virem jantar aqui em casa e eu simplesmente não consegui sair do quarto. Eu não estava chorando, mas me sentia tão machucado que não tinha forças para forjar um sorriso e nem para jogar conversa fora. Quero dizer, muitas vezes, em momentos difíceis, a melhor coisa a se fazer é se encontrar com amigos ou família e esquecer os problemas, conversar sobre outras coisas, se distrair. Mas naquele dia eu não conseguiria. Sabia que em qualquer lugar em que eu estivesse, com qualquer companhia que fosse, mesmo as pessoas mais queridas, eu ainda pensaria no que aconteceu comigo. De qualquer forma, porém, fiz um esforço e fui até a sala, cumprimentei meus primos e me sentei no sofá. Só. Não conversei e não consegui tirar a expressão amarga do meu rosto, mesmo tendo a consciência de que eu deveria fazer isso por etiqueta, afinal eu estava recebendo visitas em casa, oras. Ficar de cara amarrada é feio. Mas eu não consegui evitar.  Depois que eles foram embora, voltei para o meu quarto e dormi. Acordei às quatro da manhã, como era de costume naquela semana. Eu não sentia fome e nem sono, acordei cedo assim todos os dias, sempre angustiado e pensando nas mesmas coisas ruins. Quando amanheceu, minha mãe foi até o meu quarto e, ao ver que eu já estava acordado, perguntou o motivo de eu estar daquele jeito na noite anterior. Respondi simplesmente que não estava muito bem, então ela afirmou:
- Você não ESTÁ muito bem - de forma clara a entender que ela se referia aos últimos dias, não só aquele.
Então eu não me segurei e caí no choro. Que ódio eu senti de mim, detesto chorar na frente dos outros, ainda mais da minha mãe. Ela perguntou o que havia acontecido e eu disse que não queria falar sobre isso. Ela insistiu, preocupada, achando que talvez eu tivesse sofrido alguma violência ou coisa muito grave.

Que experiência traumatizante foi essa, afinal? Não quero entrar em detalhes, mas adianto que não foi nada físico, foi totalmente emocional e psicológico. Parece até bobo, parece algo que acontece a todos nós e que comigo, então, já aconteceu milhares de vezes. Mas o principal problema não foi o fato em si, mas sim sua repercussão e as coisas que eu pude enxergar em seguida. Sim, esse fato envolve outra pessoa, mas o que me incomodou realmente foi o que eu pude descobrir sobre mim mesmo. Claro que a situação foi triste, foi ruim foi dolorosa, mas nessas horas a gente se volta pra nossa vida e tenta seguir em frente. Mas eu percebi que eu não tenho "frente" para a qual seguir. Percebi que minha vida é um grande vazio, que eu sou vazio e que nos últimos tempos tudo o que fiz foi para disfarçar isso, encobrir. Sempre cheio de estratégias, sempre ciente de meus movimentos, de minhas atitudes, das coisas que eu dizia... Eu sempre sabia o que dizer, eu sempre sabia fingir. E como eu fingi bem! Quantas pessoas eu enganei! Quantas pessoas acreditaram que eu fosse algo que na verdade não era. E eu, no fundo sabia disso, sabia como enganá-las, mas não percebia que eu tentava enganar, inclusive, a mim mesmo.

Enfim, naquele dia eu acabei explicando à minha mãe mais ou menos os motivos pelos quais eu estava tão triste. Ela tentou ajudar, deu conselhos, conversou e eu até cheguei a pensar em possíveis soluções, mas elas sempre vinham acompanhadas de algum porém que as tornava defeituosas. Então minha mãe perguntou se eu não gostaria de consultar uma psiquiatra que ela conhece. Resultado: consultei a médica, conversamos sobre meus problemas, fiz uma longa avaliação neuropsicológica com outra profissional, identificamos uma série de traços da minha personalidade, do meu modo de agir e de pensar e, por fim, a conclusão é que eu devo continuar a fazer psicoterapia e ela também me receitou um antidepressivo para ajudar a segurar a onda.

Já faz um mês que comecei a tomar o remédio e foi desde então que comecei a sossegar o facho. Antes disso, como contei aqui no blog, andei fazendo algumas estripulias. A noite sobre a qual eu escrevi nos posts anteriores foi só uma amostra. E nesse período eu estava confuso demais para escrever direito.

Eu ainda não senti muita melhora por conta do medicamento. E nem por conta da terapia. Mas mudei um pouco meu comportamento de decidi parar de fingir ser o que eu não sou. Mesmo que nem todos gostem  do que eu vier a me tornar.

3 comentários:

panda disse...

Oi Renato! Aconteceu a mesma coisa comigo muito tempo atras, eu não falava sobre o assunto mas tomo antidepressivo e ansiolitico ha muito tempo, hoje faço psicoterapia tentando melhorar e entender o que posso fazer pra superar o "vazio". Eu deixava de falar isso porque eu queria esquecer, mas ficou evidente quando mudei pro noturno la na facul que tava mal porque chorava sem ter porque. Eu depois que sai da faculdade fiquei mais vazia e tive que lidar com 2 tios que morreram, isso sem duvida nenhuma mexe com a cabeça sem nem perceber, eu vi minha familia do lado materno principalmente chorando muito, porque eram 2 tios irmãos, me doeu...Ai minha irmã ficou doente tb por causas emocionais, e duro viu! Eu leio tudo pra entender esse vazio, leio por auto conhecimento porque não me considero igual a outras pessoas, não concordo com muitas coisas da sociedade, como ser mulher e sofrer preconceito por não querer casar e não ter filhos. Eu nunca fui livre, queria ter um pouco disso mas...ai entra outras coisas como não ter conseguido enprego na area pensar que o futuro vai ser ruim... Mas olha a questão e ser positivo mesmo e ir tentando, os remedios ajudam sim e so não escolher um fortissimo que e ruim pra tirar ou trocar depois. Eu como a Sara tambem passamos por preocupações e sofremos com isso, nos sempre conversamos sobre, qualquer coisa tô aqui. Mas olha dê valor em você, no seu trabalho, no fato de vc ter passado num concurso e em 1 lugar. Valoriza o seu interior, o fato de vc ser inteligente e boa pessoa. A gente se conhece atraves da dor e ressurge. Isso é o que muitas pessoas tão passando acredite vc não é o único de jeito nenhum!E as coisas acontecem por varios motivos acredite vc ou não. É dificil ver o que nós somos de verdade, nossas impressões são erradas, nossos pensamentos. Então pra pessoas de fora parece não ter problema algum mas essas mesmas pessoas podem ver o que vc não vê. Como eu vejo que vc é talentoso, engraçado, educado. Mas sabe eu ate podia dar mais pitaco no que acontece porque vejo algo em comum entre todas as pessoas que sofreram com isso, mas ai escreveria mais do que já ta rsrs. . Ah olha, escrever é terapeutico, se não quiser escrever por aqui escreva pra vc mesmo, alivia..Bjos e melhoras!Té mais.

Lessa disse...

Bem vindo ao clube lindeza! Dias mais ou menos, outros insuportaveis... Solidao (mesmo rodeado de pessoas)... Uma dor que vem não sei de onde... O que posso te garantir? Tudo vai passar! Voce tem ao seu lado a familia, amigos e comprimidinhos milagrosos! Nos primeiros meses da sertralina perdi o apetite, o sono, parecia que estava meio que num sonho, me sentia estranha. Mas depois tudo foi se ajustando. Minha terapeuta tem me ensinado a sublimar certas coisas, me resignar diante de outras. Essa foi a pior batalha. Um dia te conto tuuuudo. O que desencadeou tudo foi um amor mal resolvido, mas la atras muita coisa tinha ficado pendente. E mesmo que de forma inconsciente carregamos "essas pendencias". Mas voce eh inteligente, lindo e vai sair dessa. Se ate eu sai...rs... Bjs

Marcelo disse...

Boa noite! Estou vivendo isso agora. ta tudo muito confuso na minha cabeça! me identifiquei muito com você e seus texto Tem certos trechos que parece que eu que escrevi. Vou começar a acompanhar seu blog. Parabéns!