O céu já estava escuro e o meu plano de ir embora às sete da noite já tinha ido pro ralo. Aquele cara bonitão fazia uma sensual coreografia na minha frente, ao som de "traição é traição, romance é romance, amor é amor e um lance é um lance". De repente, o Dudu recebeu uma ligação de uma amiga dele e do Lucas, chamada Chanterelle, e a chamou para nos encontrar naquela festa mesmo. A garota deu a entender que o Lucas também iria e eu logo me dei conta de que o plano de pegar os dois naquela noite (ele e o bonitão da coreografia) estava ameaçado, então comecei a ponderar qual dos dois valia mais a pena, até que, pro meu alívio, a Chanterelle chegou sozinha. E ainda trouxe uma novidade: um entorpecente que eu não vou dizer o que era, hihihi, porque nunca fui de usar essas coisas, mas de alguns meses pra cá eu decidi experimentar novas sensações na minha vida.
Algumas horas depois, eu estava com o Dudu e a Chanterelle no lado de fora da festa e o Saulo veio ver como estávamos. Eu perguntei pelo bonitão da coreografia e ele me falou que o cara tava lá dentro, me esperando. Falei que não era surpresa, já que passamos a festa toda flertando (conversamos um pouco também). De repente, o Dudu começou a enrolar a fala e eu percebi que ele já estava fora de si e, assim, iria nos dar o mesmo trabalho que sempre dá quando bebe demais e fica insuportável. Briguei com ele, falando que ia deixá-lo em casa, então ele começou a retrucar e dizer que eu é que estava louco, até que eu me dei conta: realmente, eu é que estava chapadíssimo! Quase saindo do meu próprio corpo. Afinal, nunca tinha usado aquele troço antes. Foi uma sensação incrível, apesar da consciência reduzida, eu percebi que minhas atitudes eram muito mais espontâneas. A forma como eu provoquei e ataquei o Dudu mostrou um lado meu mais agressivo que há tempos eu venho buscando. Eu preciso dessa agressividade. Não exatamente para brigar com as pessoas, mas para ir atrás das coisas que eu quero na minha vida, para saber me impor, defender meu ponto de vista. Preciso dessa sede, dessa vontade, dessa gana. É claro que não vou começar a me entorpecer para conseguir isso, mas foi bom abrir essa janela e descobrir que esse meu lado existe e que eu só preciso deixá-lo se soltar com mais frequência.
Bom, então voltamos para o prédio e vimos que a festa já estava no fim, todo mundo indo embora. Comecei a ajudar o Saulo a arrumar a bagunça enquanto o Dudu foi para a cozinha atacar os 250 docinhos que não foram servidos (eu também comi alguns, claro). Ao mesmo tempo, começamos a articular os planos para depois dali. Como já era meia-noite, decidi que eu iria direto para a outra festa, só faltava saber quem iria comigo. O bonitão da coreografia disse que não ia e se despediu, para a minha frustração, mas ok. O Dudu disse que não tinha dinheiro e perguntou se eu podia lhe emprestar, ao que eu deixei bem claro que não empresto dinheiro. Risos, não sei de onde veio isso, só sei que o Saulo surgiu naquela mesma hora para saber quem iria e, enquanto comíamos docinhos de trufa, falei que ele podia ir comigo, mas que o Dudu tava sem dinheiro. Depois que ele saiu, o Dudu agradeceu por eu tê-lo exposto como pobretão e eu comecei a rir e chamá-lo de bicha gorda e pobre, ao mesmo tempo em que enchia a boca de trufa branca, mas tanta que eu não conseguia nem engolir, já que também ria sem parar. Por sorte, ele viu que eu tava alucinado e não se ofendeu.
Por fim, resolvemos ir todos à outra festa (eu, Saulo, Chanterelle e o Dudu, que nem sei como conseguiu dinheiro, deve ter sido com a Chante), mas antes levamos as coisas da festa para o apartamento do Saulo, onde ele começou a comentar sobre o tanto de comida que sobrou: a torta de frango quase inteira, a torta doce que nem saiu da geladeira e alguns docinhos. Eu só pensei comigo mesmo: É CLARO, MEU FILHO, VOCÊ NÃO SERVIU NADA A FESTA TODA! hahahaha mas o importante é que pelo menos eu comi e continuei comendo naquela hora pra onda passar. Enquanto isso, o Saulo foi trocar de roupa e se emperiquitar para a festa.
Gente, que demora! Eu juro que não entendo esses gays, me dá uma preguiça. Eu saí de casa às quatro da tarde, de bermuda, camiseta e um tênis all-star que uso desde os meus quinze anos e iria pra balada daquele jeito mesmo, certíssimo de que, mesmo assim, seria o cara mais cobiçado da noite. Os gays podem não assumir, mas adoram um desleixo, um cara mais despojado, com jeito de hétero. Então não entendo por que fazem tanta questão de se vestirem como gays. Roupas extravagantes, penteados exóticos, sobrancelhas desenhadinhas, nada disso atrai ninguém, mas todos usam. Enquanto isso, eu gasto pouquíssimo com vestuário, ando sempre confortável e continuo sendo só sucesso. Desculpem a arrogância.
Mas enfim, a demora do Saulo para ficar pronto por um lado foi bom porque deu tempo da minha onda passar e eu ficar mais apto a dirigir, mas, por outro lado, toda aquela enrolação (junto ao fato de eu ter perdido a onda, claro) começou a me dar uma agonia, agonia... O Lucas ligava dizendo que já estava na porta da festa nos esperando e o Saulo não ficava pronto nunca e a minha onda já havia passado e eu não aguentava mais esperar... Então comecei a ficar de extremo mau humor.
4 comentários:
Antes, PARABÉNS pelos 2 anos de blog!Nem parece que acompanho você e suas histórias por tanto tempo.Como é bom ler cada uma das coisas que posta por aqui, cada coisa melhor que a outra.Cada dia que passa me surpreendo mais com as suas "peripécias".
Quanto ao post de hoje...não tenho uma opinião formada para poder expressar aqui sem que pareça careta ou retrograda.
Por um momento - quase no final do post - senti que você estava jogando a responsabilidade naquilo que você gostaria de ser.Mas no final, deixei de achar isso.Enfim, não sou intimo seu, mas se fosse...srsrssrs
kkkkkkkkkk
Post impagável
Rialto,mas vai ter que ter
cont. preciso saber da festa 2
continua....
Terceira parte confirmadíssima! Hahahaha... Como eu falei, informação demais para uma noite só... Tive que dividir pra não fazer textos muito compridos.
E Pablo, não se preocupe, eu sempre fui super contra o uso desses entorpecentes, era o único careta da turma... Agora não sou tanto, mas ainda sei que não é brinquedo, rs.
Olha, desculpa. Mas todo mundo tem um lado grosso,mal educado e as vezes isso pode ate ajudar a defender mas depois... Juro que eu gostaria era de permanecer calada e ignorar quando me falam bobagem, atitude que sempre admirei em vc. Agora usar essas coisinha ai... Acho que vc tem mais nivel, não precisa disso e ainda tem um belo exemplo do que acontece com quem usa perto de vc.
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