sábado, 17 de janeiro de 2015

Oi Rodrigo, tudo bem?
Eu nem tinha percebido quanto tempo já se passou desde a última vez que te escrevi, espero não ter perdido o direito de fazê-lo, rs.
A minha vida aqui em São Paulo continua dando certo em relação ao aspecto que mais me assustava, a parte financeira. Depois de seis meses morando quase de favor na casa de um amigo, aluguei um apartamento que fui mobiliando aos poucos e agora já tenho um monte de coisas minhas para levar comigo no dia me que eu me mudar de novo. Diferente de quando saí de Goiânia só com algumas roupas na mala. E tenho conseguido pagar minhas contas e me alimentar bem todos os dias, rs. E ainda tomar uma cerveja de vez em quando.
Entretanto, não posso dizer que eu esteja realmente bem. O relacionamento do qual eu falei na última vez até que durou bastante. Terminamos em setembro, quando ele veio passar alguns dias aqui em casa e, ao usar meu computador, viu algumas conversas minhas das quais não gostou. Eu não fiz nenhum esforço para segurá-lo ou tentar me inocentar. Eu já pensava em terminar havia algum tempo, por vários motivos. O principal é que eu me mudei para São Paulo cheio de expectativas, inclusive de conhecer pessoas diferentes, principalmente essa quantidade enorme de gays lindos que eu vejo todos os dias, seja no meu caminho para o trabalho, nos bares e baladas ou aqui mesmo na vizinhança. Comecei a ficar incomodado com o fato de ter iniciado um namoro a distância logo que me mudei, senti que eu estava me privando de viver realmente o que eu vim buscar aqui. Ao mesmo tempo, porém, a afinidade que tive com ele era mais intensa do que a que eu já tive com qualquer pessoa antes e, apesar de não sentir saudades enquanto estávamos longe, era bom falar com ele todos os dias por telefone, e quando nos encontrávamos (mais ou menos uma vez por mês) também era ótimo. Eu sentia uma carinho enorme por ele e uma forte atração física também. O meu desejo sexual, porém, continuava hipoativo. No início do relacionamento ele era nulo, mas eu já tinha avisado isso a ele antes de nos envolvermos e ele disse que não haveria problema. Com o tempo, quando nos conhecemos mais e mais, esse desejo foi surgindo e acho que houve uma fase em que eu me senti quase uma pessoa normal. Depois ele passou a diminuir de novo, não sei bem por quê. Eu adorava estar com ele (o namorado), fazer carinho em seu corpo, abraçá-lo e beijá-lo, mas fazer sexo mesmo, eu evitava ao máximo. Eu até gostava de deixá-lo excitado, mas quando isso acontecia, ele queria dar sequência e eu meio que já estava satisfeito só com aquilo. Era muito perturbador. E também foi um motivo para eu achar que não era uma boa ideia continuarmos juntos. Isso e mais as brigas que tínhamos com frequência, mas já nem me lembro mais de quais eram os motivos delas.

Enfim, quando terminamos, apesar de eu ter ficado triste, achei que seria bom recomeçar. O problema é que eu não recomecei nada. Exatamente como eu temia antes de me mudar (e que até mencionei em uma de nossas sessões de terapia), minha falta de habilidade social continua a mesma e eu praticamente não fiz amigos aqui (na verdade fiz alguns amigos maravilhosos, mas tenho essa coisa de sempre achar que ainda falta algo e que sempre preciso de mais e mais). Namorar, flertar, sem chances. Eu até recebo muitos olhares, mas quando alguém me interessa, eu sinto que não tenho nada a oferecer, então não tenho nem coragem de olhar de volta. Aliás, preciso falar de um cara com quem eu saí algumas vezes no final do ano. Ele é um amor de pessoa e super bonito. Meio doido (me deu uma cópia da chave do apartamento dele no mesmo final de semana em que nos conhecemos), um tanto chato (no sentido de entediante), mas tem bom coração e gostou muito de mim. Não sei exatamente do que ele gostou, porque eu nunca sequer falei sobre mim. Nosso primeiro encontro foi cheio de momentos de silêncio e, quando eu lhe fazia perguntas, ele respondia e nenhuma vez devolveu um "e você?". Eu tive certeza de que ele não havia se interessado, mas no fim da noite pediu um beijo e estamos meio que juntos desde então. Eu não tinha nada melhor pra fazer mesmo.
No mesmo dia em que nos conhecemos, passamos a noite juntos, mas eu avisei (meio em cima da hora, admito), que eu não sou uma pessoa muito sexual. Ele disse que não há nenhum problema nisso e acho que foi sincero, porque já se passaram uns dois ou três meses e até hoje nós nunca sequer nos vimos nus. Não rola nem mão boba, nada. E nós quase não nos beijamos. Pode parecer que este seja o relacionamento ideal pra mim, mas a verdade é que não sentir vontade nem mesmo de fazer carinho é uma novidade pra mim e eu não sinto vontade nenhuma de continuar ficando com ele. Por que ainda não falei isso? Bem, ele disse que ia passar o réveillon dentro de casa dormindo, então pude fazer meus próprios planos. No dia 2 de janeiro ele embarcou numa viagem de 20 dias pela Europa e eu pensei que, assim, o "relacionamento" morreria naturalmente, sem que eu precisasse de fato falar alguma coisa. Mas instantes antes de embarcar, ele me mandou uma mensagem agradecendo por eu ter paciência com ele e dizendo que vai me pedir em namoro assim que voltar, então para eu ir pensando. E durante a viagem, ele me mandou fotos e mais fotos todos os dias, mensagens de saudades e etc. E eu fiquei totalmente sem saber o que fazer, se eu já dizia logo que não temos um futuro juntos ou se espero ele voltar... Enfim, acabei não fazendo nada até hoje e daqui a uns dias ele volta. 

Bom, apesar dessa distração tragicômica, ainda tenho alguns problemas sérios pra enfrentar. Como eu ia dizendo antes de me distrair, eu nunca tenho coragem de me aproximar de ninguém que me interessa, pois sinto que não tenho nada a oferecer. Esse doidinho eu só tive coragem de me relacionar porque percebi que havia algum parafuso solto. Com os outros, não sei sobre o que conversar e minha vida é tão entediante que eu não tenho nada legal pra contar. Meu emprego, minha nossa, é ótimo que ele pague minhas contas, mas sinto tanta falta de fazer algo que realmente me inspire. Queria poder escrever da mesma forma que estou escrevendo agora, escrever coisas interessantes que eu pudesse pensar em publicar, mas acho que não consigo discorrer sobre nada que não seja eu mesmo. E nem isso eu consigo fazer de forma organizada.

Enfim, tudo isso tem me deixado em um estado de depressão muito ruim. E vira e mexe, vem a lembrança do namorado que eu larguei, com quem eu me sentia tão feliz quando estávamos juntos. Aí eu sinto saudade, penso em procurá-lo, mas lembro das ultimas vezes em que nos falamos (depois do término) e que ele já demonstrou total desprezo por mim. Então resolvo deixar esse pensamento de lado e focar no que tenho aqui em volta, saio na rua sozinho e sem rumo, vou tomar um café ou uma cerveja, ver as pessoas ao redor, apostar na sorte... E sempre volto pra casa de mãos vazias, às vezes bêbado, às vezes de estômago cheio e sempre com vontade de simplesmente dormir e só acordar no dia de são nunca.

Bom, falei tudo isso, mas o principal motivo de eu te escrever é pra pedir indicação de algum terapeuta aqui em São Paulo. Lembro que você falou, na nossa última ou penúltima sessão, que conhecia alguns. Eu cheguei procurar um que atende pelo meu plano de saúde aqui, mas não gostei. Na verdade, bom mesmo seria se você resolvesse se mudar pra cá também e começasse a atender aqui, mas já que não é o caso, confio que possa me indicar algum profissional igualmente qualificado. 

Desculpa se escrevi demais, acabei aproveitando pra desabafar um pouco e só de escrever já me senti um pouco melhor.
Um abraço e feliz ano novo!

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