sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O tempo do tempo

O blog está com delay. Tudo o que eu venho contando já aconteceu há duas semanas, mas é muita informação que não posso deixar para trás. Então continuemos de onde paramos.

Na sexta-feira retrasada, o Ricardo pediu para darmos um tempo, mas assim mesmo combinamos de ir juntos a um espetáculo de dança no dia seguinte, pois já havíamos comprado os ingressos. Quando cheguei em casa, tive a surpresa de receber uma mensagem online do Adam, meu ex e primeiro namorado, pedindo que eu mandasse notícias.
É claro que eu me empolguei ao ver a mensagem. Imaginei que talvez ele quisesse me ver de novo para, quem sabe, tentar começar um novo relacionamento! Talvez ele tenha se lembrado de mim e pensado que, apesar de naquela época não ter dado certo, hoje poderia dar. E que sensacional isso acontecer exatamente no mesmo dia em que o Ricardo terminou comigo! Só assim para eu não sofrer: reencontrar um antigo amor. A minha história com o Adam terminou tão mal e eu sempre quis que um dia pudéssemos colocar tudo em pratos limpos. Não necessariamente ficarmos juntos de novo, mas se houver  essa chance, por que não? Ele é super gatinho.

ENTRETANTO, eu ainda tinha uma pequena esperança de que o Ricardo e eu voltássemos a namorar. Teria que ser logo, é claro. Essa história de dar um tempo não me convence nem um pouco. Durante esse tempo, ele poderia conhecer outra pessoa e eu, também. Poderia ser, esse tempo, o bastante para começarmos a sentir raiva um do outro, como geralmente acontece após o fim de um relacionamento, quando as todas as coisas do nosso ex que antes achávamos bonitinhas de repente começam a nos dar nojo. Durante esse tempo, ele poderia perceber que prefere ficar sem mim e eu, que teria esperado o tempo todo pelo dia em que ficaríamos juntos de novo, levaria um tombo ainda maior do que o que já levei - e seria muito mais difícil me recuperar. Portanto, não. Eu não me permitiria deixar essa história em aberto por muito tempo, não iria correr esse risco. Se quiséssemos ficar juntos, o faríamos mesmo diante das dificuldades. Se fôssemos terminar, que fosse definitivo.
Então eu estava ali, diante daquela mensagem na tela do computador, uma mensagem que representava o que eu mais queria na vida há quatro anos atrás, mas que hoje já não tinha tanto sentido. Isso mesmo, apesar do impacto que ela causou em mim a princípio, logo percebi que o Adam é passado e o Ricardo é presente. E se o Ricardo ainda quisesse ficar comigo, eu não quereria mais ninguém. É dele que eu gosto hoje.
Se ele não quiser mais, aí sim, estou aberto a novas possibilidades e o Adam pode ser uma delas. Se é que ele tinha mesmo essa intenção. Talvez ele só quisesse ter notícia mesmo, colocar a conversa em dia e construir uma amizade que não deu certo na época em que eu ainda estava ferido. Se for o caso, também não vejo problema. Mas de qualquer forma, eu não quis responder à mensagem naquele momento. Precisava pensar um pouco antes e, ainda por cima, era madrugada, eu estava com sono e aborrecido. Fui dormir.

No sábado, acordei péssimo. Pensei o dia inteiro no fim do namoro. Normalmente meus finais de semana consistiam em descansar e esperar pelo momento de ligar para ele ou que ele me ligasse, para nos encontrarmos. Mas naquele dia não tínhamos esse compromisso e era estranho. Bom, até iríamos nos ver, mas em condições diferentes. Já não éramos mais namorados.
Em alguns momentos eu cheguei a pensar que era melhor assim, que eu deveria sair com meus amigos, esquecer o ocorrido, me divertir, conhecer pessoas novas, mas então eu me lembrava de que tinha que ir ao espetáculo de dança à noite.
Às vezes pensava em como responderia à mensagem do Adam, imaginava a possibilidade de um dia ficarmos juntos de novo, mas depois pensava no Ricardo e no quanto eu queria reatar o namoro naquela noite. E pensava em como isso aconteceria, no que eu iria dizer, pensava em mil possibilidades.

Enfim, a noite chegou. Ele me mandou uma mensagem para confirmar se eu iria com ele ao espetáculo e eu respondi que sim. Mais tarde ele me buscou em casa. Entrei no carro e nos cumprimentamos friamente. Ele perguntou se "tudo bem" e eu respondi aquele "tudo, e você" automático, por educação. Por quase todo o resto do trajeto, ficamos em silêncio. Vez ou outra eu comentava alguma coisinha para fingir naturalidade. E olha que o teatro era longe.
Quando finalmente chegamos, fomos para a fila e, pelo caminho, encontramos alguns conhecidos meus, outros dele, e íamos parando para conversar um pouco, mas praticamente não conversávamos um com o outro, era muito estranho. Nem sequer nos olhávamos.
Dentro do auditório, sentamos lado a lado sem nenhum conhecido por perto (lugares marcados) e continuamos em silêncio até o fim da apresentação. Nesse meio tempo, porém, eu não parava de pensar no que aconteceria quando voltássemos para o carro. No que eu diria ou mesmo se eu diria alguma coisa. Se valeria a pena tentar voltar ou se, pelo visto, não havia a menor chance. Porque o Ricardo parecia bem à vontade naquela situação e isso era o que mais me irritava.

Fim do espetáculo. Na saída, ele queria falar com um amigo dele que estava ocupado, então esperamos um pouco, enquanto fiz um esforço para conversar sobre qualquer coisa. Alguns conhecidos dele foram perguntar se dali iríamos para algum outro lugar e ele hesitou um pouco, mas disse que ainda iríamos decidir. Um bom tempo depois, finalmente entramos no carro para ir embora e ele perguntou se eu queria fazer alguma coisa. Prontamente, respondi que não. Não estava com humor para sair com ele como se fôssemos bons amigos. Então fomos embora e, agora sim, no mais absoluto silêncio. Nem fingir naturalidade me interessava mais.
Quando chegamos ao meu prédio, tirei o cinto de segurança e olhei pra ele. Não consegui falar nada, não consegui. Então ele perguntou se eu estava mesmo bem. Respondi que não.
- Tá triste? - perguntou e eu respondi que sim. - Quer voltar a namorar?
Me surpreendi um pouco e perguntei se ele queria, ao que ele balançou a cabeça afirmativamente e disse estar com saudades.
- Eu nunca quis terminar - falei.

Então voltamos. Ele pediu desculpas por ter brigado comigo na noite anterior. Eu falei que ainda queria esclarecer algumas coisas que ele disse, os motivos para querer dar um tempo... E ele disse que estava bêbado na hora e nem sabia direito o que dizia. Por fim, demos uns amassos dentro do carro até gozar e depois o convidei para subir até o apartamento para comer o resto da paella que meu pai fez naquela noite. Quando ele foi embora, fui até a sacada e o vi partir enquanto começava a chover.

Eu não estava com nem um pingo de sono, então me sentei ali mesmo e fiquei observando a chuva cair durante a madrugada, pensando que, dali em diante, tudo ficaria bem.

3 comentários:

panda disse...

Tá, mas a desculpa do bêbado demais não me convenceu.

Visão disse...

O alcool, de certeza, tira o controle. Desliga o filtro do que pode ou não ser dito. E com a cabeça quente então.
Mas se ele disse que ava com saudade e que queria voltar, vale sim a pena.
Eu esotu com uma invejinha de vc. Vc tem um amor e eu não. VIVA o seu amor.
Bjs

Gema disse...

eu

sabia que ia ter volta

as cartas não mentem....

Bjxxx

Gema