Eu sei que muitos de vocês ficaram decepcionados com o desfecho do texto anterior. Eu também, eu acho. Na verdade, nas últimas semanas eu decidi que não queria mais brigar com meu namorado, estava cansado disso. Admito que em muitas das vezes em que ele me ofende com alguma fala ou atitude, eu sei que ele não o faz com essa intenção. Mas eu sempre o reprovo e sempre arranjo um motivo para ficar desconfiado, irritado ou decepcionado. Ou ele realmente dá o motivo, mas enfim, eu resolvi passar a engolir alguns sapos para continuar a aproveitar algumas coisas boas que o namoro ainda oferecia. Porque alguns momentos, sim, eram muito gostosos! De vez em quando ele sossegava o facho e eu baixava a guarda e era ótimo. O sexo, inclusive, costumava ser muito bom... Apesar de eu nem sempre estar muito a fim. Naquele dia eu não estava, mas resolvi fazer um esforço, mesmo tendo ouvido tamanha grosseria. E não deu certo, claro, foi péssimo, mas pelo menos a gente gozou. Eu fiquei com raiva por alguns dias, recusei um convite para ir a uma peça de teatro e pensei em ter uma séria conversa sobre o ocorrido no final da semana, mas eis que ele me manda uma mensagem, na sexta-feira, avisando que estava saindo em viagem com seus pais, para passar o final de semana em Caldas Novas. No meio disso, contudo, houve um acontecimento que amoleceu um pouco meu coração: no dia em que ele me chamou para ir ao teatro, eu aceitei e depois disse que mudei de ideia e que ele poderia ir sozinho, mas ele me ligou mais tarde e disse que não quis ir sem mim. Achei tão bonitinho. E quando ele estava em Caldas, me ligou logo pela manhã para dizer que estava morrendo de saudades e que também estava triste com algumas coisas que lhe aconteceram... Então tudo isso somado à saudade causada pelo tempo sem nos vermos fez com que eu abstraísse tudo o que aconteceu naquela noite do K-med. Apesar de que eu ainda não sabia se estaria disposto a fazer sexo com ele de novo tão cedo, mas enfim... Ele voltou no domingo e nos reencontramos cheios de carinho. Fomos até a chácara de um amigo dele que comemorava aniversário e tivemos um fim de tarde agradável. Entre beijos e abraços, mais tarde, de repente o clima começou a esquentar. Sem que ninguém percebesse, fomos até um dos quartos e, minha nossa, como foi bom! Não chegamos a fazer muita coisa, claro, ainda temos respeito pela casa dos outros, rs, mas trocamos algumas carícias e quase morremos de tanto tesão. Só não terminamos em outro lugar porque dois amigos do amigo dele pediram carona e moravam perto da casa dele, sendo que ele me deixaria em casa ainda. Ou então porque já estava tarde mesmo e eu trabalharia no dia seguinte. Mas então passamos mais uma semana sem nos ver e morrendo de saudades. Nos falamos por telefone alguns dias e trocamos muitas mensagens apaixonadas... Acho que o namoro estava em um ótimo momento!
Então chegou a sexta-feira. Iríamos finalmente nos encontrar de novo, uhul! Pelo telefone, combinamos que eu iria buscá-lo em uma hora e, enquanto isso, ele falaria com uma amiga dele que queria sair conosco para decidir aonde iríamos. Quando o busquei, ele disse que a garota ainda não havia decidido nada. Poderíamos ir a algum bar, restaurante ou café enquanto isso, mas a verdade era que nenhum dos dois estava com fome. Eu só queria mesmo ficar com ele, conversar, contar sobre o que fizemos durante a semana e trocar carinho... Então pensei, podemos fazer tudo isso num quarto de motel, não? Poderíamos ficar muito mais à vontade e sem obrigação de consumir nada. Então propus que fôssemos diretamente ao mesmo motel. Ele se assustou, mas topou. Falei que não precisaríamos, de fato, transar, mas ele disse que estava louco por isso!
Preciso falar que tivemos problemas? Quando entramos no quarto, ok, eu estava com saudades e louco para agarrá-lo. Começamos a nos abraçar e nos beijar e as roupas foram deixadas de lado. Nos deitamos na cama e tudo estava ótimo, mas aos poucos senti que perdia o ânimo. Tentei parar um pouco e conversar, mas ele não deu abertura, queria continuar a pegação... Mas já não tava rolando. Tentei de um jeito, tentei de outro... E nada.
Acho que essa coisa de ir direto ao ponto é o que me broxa. Geralmente, nossos amassos mais gostosos acontecem quando a gente menos espera. Como na chácara do amigo dele, por exemplo, a vontade surgiu naturalmente. Às vezes saímos para comer, beber um suco, conversar e, quando vamos pro carro, de repente, pinta o fogo e vai ali mesmo, rs. Mas no motel, não.
Expliquei que eu queria conversar com ele antes, passar um tempo junto sem pressa para transar, mas ele me respondeu que a gente faria isso depois, em algum bar, mas se estávamos em uma cama de motel, era para trepar.
Resolvi me esforçar mais um pouco, tentei de outro jeito, outra posição... Mas de repente percebi que eu não queria mais me obrigar a querer aquilo. Falei que era melhor irmos embora. Ele achou ruim, disse que não queria dali sem fazer nada, então falei para ele ter calma e se deitar um pouco comigo.
- Não, Renato, já estou deitado! Me fala o que você quer fazer.
- Nada.
- Nada? OU VOCÊ ME DÁ OU VOCÊ ME COME, ESCOLHE!
- Ha não, então vamos embora.
Levantei e comecei a me vestir. Ele também, cansou de discutir. Enquanto isso, eu nem olhava em sua cara e pensava: "Agora, sim, acabou. Acabou, de verdade".
Saímos, paguei a conta e o levei de volta a sua casa, sem trocarmos uma palavra sequer no caminho. O tempo todo, enquanto eu dirigia, pensava na palavra "acabou".
Quando chegamos, parei o carro e disse tchau. Ele pediu para eu desligar o carro. Desliguei.
- E aí, o que vamos fazer? - Ele perguntou.
- Em relação a quê?
- Ué, a gente precisa transar.
Sério que ele ainda tinha esperança? Pra mim ele queria saber se eu ia terminar ou não. Mas achei que aquela era a deixa. O momento certo para eu dizer que não e que era melhor terminarmos. Mas quem disse que eu conseguia??? Porque, APESAR DE TUDO, a merda da história é que, porra... Eu ainda gosto dele! Gosto muito! Tentei explicar que o problema deve ter sido o ambiente do motel, o momento errado que escolhemos, sei lá. Mas a verdade é que desde o começo do relacionamento temos esse problema. Eu sempre tive muita dificuldade para me entregar a alguém, para me dispor a uma intimidade. Com todos os meus namorados ou peguetes, passei por isso, em algum nível. Mas nunca foi tão difícil quanto com o Ricardo.
Ele perguntou se é só com ele e eu falei a verdade (o que acabei de escrever acima).
Então perguntou:
- E aí? Você quer dar um tempo?
...
- Não - respondi. Mas às vezes acho que é o melhor a se fazer.
- Eu também. Sabe, gosto MUITO de você! De verdade. Você é muuuito companheiro, atencioso, carinhoso, lindo, inteligente...
- Mas tenho um defeito que anula tudo?
- Não é que anula tudo, mas é difícil. É seu único defeito! Eu não consigo entender, já tentei muito, mas não consigo!! Eu passei a semana toda louco pra transar com você, aquele dia na chácara do Tiago a gente começou e não terminou, depois ficamos a semana toda sem nos ver e eu pensava em você O TEMPO TODO! Eu não quero bater punheta! Tinha hora em que eu pensava em fazer isso, mas ah, queria era o Renato aqui. Mas você fica com esse nervosismo, não entendo! No começo do namoro eu até entendia, mas agora a gente já tem MUITA intimidade! Não entendo por que você não quer...
- Não é nervosismo, Ricardo. É alguma coisa minha...
- Eu sei! Você teve aquela experiência ruim, mas já faz tanto tempo e acho que você já superou muito bem, não já? Parece que já... Não sei se é desculpa, não sei o que é!
- Eu falei com a Karina dia desses, pedi para ela me indicar algum terapeuta sexual, quero procurar ajuda...
Bom, agora vocês sabem de algo sobre mim que eu acredito nunca ter comentado tão abertamente aqui no blog. Espero não causar constrangimento aos leitores, mas é isso que eu vivo há muito tempo. Nunca fui um senhor-apetite-sexual e vários relacionamentos já foram prejudicados por isso. Opa, já ia me esquecendo! O Ricardo ainda disse que o pior é que isso atrapalha minha vida em outros campos também. Falou mais ou menos assim:
- Por isso você é sempre triste, não entrosa com ninguém, tem alguma coisa mal resolvida!
Well.
Ficamos em silêncio por alguns instantes e perguntei se ele queria ir para algum outro lugar, se queria ficar ali ou ir para casa. Ele disse "não sei", então propus que fôssemos tomar algo para espairecer um pouco. Pensei num suco, mas ele queria cerveja, então fomos a um bar e tomei um chopp. Conversamos amenidades enquanto bebíamos e foi me dando um sono...
Depois de quase uma hora, pagamos a conta e voltamos para o carro.
- Sabe - comecei a falar. Quando saímos do motel hoje, eu tive certeza de que estava tudo acabado. Mas depois de conversarmos, de tudo o que você falou...
- Eu amoleci seu coração.
- ...eu não quero jogar isso fora. Não quero dar um tempo. E você?
(Silêncio)
- Não sei...
(Silêncio)
- Por que você QUER?
(Silêncio)
- Não sei... Acho que a gente precisa. Não é que a gente não possa ficar junto de novo, mas agora é melhor... Pra gente pensar um pouco e ver no que dá.
Partiu meu coração.
- OK.
Liguei o carro e fiz manobra pra pegar o sentido certo da rua. Porém, eu não consegui me conformar com aquilo. Não podia ser o Ricardo terminando comigo, não podia ser o meu amorzão. Tivemos uma história tão linda e de repente ele desiste de tudo por causa de um único problema? "Seu único problema", ele disse antes. Eu senti que ele desistiu de mim.
Parei o carro e pedi:
- Me explica por que você quer dar esse tempo.
Eu precisava entender melhor. Queria entender se ele estava mesmo desistindo e aquilo era, na verdade, um término definitivo ou se dar esse tempo era, para ele, um esforço para salvar a relação que ele realmente pensava em reatar depois.
Mas não sei se ele se expressou muito mal ou se eu estava já dopado de tanto sono (porque foi uma noite e tanto e ainda tomei um chopp), mas não consegui entender bulhufas do que ele falou! Só sei que em um momento ele disse que era muito cedo para tanta responsabilidade e que o relacionamento começou sério demais.
Opa... Aí já é outro assunto, né? Pareceu-me que ele tinha outros motivos para querer terminar. E apesar de eu não ter entendido tudo, percebi algo simples: Ele não queria mais estar comigo.
- Então tá - falei.
Retomei a partida do carro e, após um silêncio, ele ficou incomodado e disse:
- Então tá, não, Renato. Fala o que você pensa.
- Não, eu gostaria de continuar - os lábios tremeram no final.
Ele ficou calado. Eu percebi que aquilo o entristecia, mas que ele estava certo do que queria. Quando chegamos ao prédio dele, troquei o CD e falei que ele podia ir. Ele não quis me deixar assim, ficou me olhando, parado. Pediu pra eu não ficar triste e não ouvir minhas músicas depressivas.
- Vai logo, Ricardo, pode ir.
Ele me abraçou e deu um beijo no rosto.
- Não dificulta pra mim não - pedi.
- Dirige com cuidado, tá?
- Fica tranquilo.
Ele desceu do carro e eu fui embora.
Agora, sim, acabou.
5 comentários:
Nossa, que coisa chata... você luta tanto por ele, Renato, e por conta do "Seu único problema", ele resolve jogar a relação para o alto? O pior, ele não consegue compreender o seu lado e tentar ajudá-lo nesse aspecto.
Fico triste por ele ter tido essa reação. Espero que você esteja bem e que não desanime por isso. Você é uma ótima pessoa e não pode se deixar abater faácil.
Abraço!
Mais emocionante, impossível...
Dê tempo ao tempo
eu acho que vc ainda tem chance
Estou torcendo por voces!!!
o comentário saiu
como anônimo
mas acho sinceramente que ele vai
te procurar
Boa Sorte
Ele devia tentar superar isso com vc, pessoas que se gostam de verdade fazem isso, seria mais maduro da parte dele, mas acredito que ele vai perceber que fez burrada, quanto ao sexo ele não pode exigir isso sempre como se vc fosse uma maquina rsrs Acho muito egoista, as pessoas tambem cansam disso em excesso ué normal!
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