Eu quase não dormi naquela noite. Acordava a todo instante, às vezes passava a mão sobre ele, tentava abraçá-lo como fizemos nas outras noites, mas ele não dava nenhum tipo de resposta. Poderia ser apenas um sono profundo, mas talvez aquela história já tivesse acabado. Talvez eu estivesse sobrando naquele futton. Foi o que eu senti a noite inteira. Ele não me queria mais.
Quando o dia começou a clarear, bem de leve ainda, tive uma ideia reconfortante. O melhor para mim seria me poupar daquele vexame, daquela humilhação. Seria abandonar o estúdio antes que a cena fosse gravada. Então me levantei com cuidado, para não fazer barulho, troquei de roupa, calcei meus tênis, guardei as últimas coisas dentro da sacola, peguei e me mandei. Fui embora daquele apartamento antes mesmo que ele acordasse. Deixei a porta destrancada, mas acho que não fazia mal. Dali eu pegaria um taxi até Congonhas e voltaria pra casa são e salvo, imaginando a surpresa que ele teria quando acordasse e percebesse que eu simplesmente já não estava mais ali na vida dele. Será que ele sentiria culpa? Será que ele se sentiria rejeitado? Será ainda que, com isso, ele passaria me ver com outros olhos e voltaria a sentir o que quer que ele sentisse antes???
Nunca vou saber, pois não foi isso o que eu fiz. Foi só uma ideia. Uma ideia que eu deveria ter executado, mas não consegui. Eu ainda estava deitado naquele futton esperando que, talvez, quando ele acordasse, voltasse a me tratar com carinho e, assim, eu perceberia que tudo o que passou pela minha cabeça durante a noite foi uma mera paranoia.
Quem me dera. Quando vi que já estava na minha hora de ir, resolvi acordá-lo:
- Tony... Tony, já são sete horas, preciso ir.
Ele coçou os olhos e se levantou ainda um pouco atordoado. Perguntou se eu queria tomar café antes de ir, mas eu falei que não era necessário, que comeria alguma coisa no aeroporto. Ele então se levantou da cama e foi comigo até a porta. Ao ver que estava choviscando, me ofereceu seu guarda-chuva comprado no dia anterior, quando fomos almoçar na Liberdade. Eu que emprestei o dinheiro, na verdade. Mas eu disse que não precisava. Não queria ocupar mais uma mão, além da que carregava a sacola. Então ele abriu a porta e deixou por isso mesmo. Eu disse tchau e lhe dei um abraço e um beijo no rosto. E fui embora. Nunca mais nos vimos.
Um comentário:
Ja escrevi umas 3 mensagens aqui e não saiu rsrs vamo ver se sai agora, fii trata de ser mais dificil sei la... você precisa identificar esses tipinho antes..
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