Vamos lá, o nome desse garoto é Lucas. Eu sempre o via em um bar que eu frequentava com meus amigos e amigas nos meus tempos de solteiro - como se isso fosse há mil anos atrás, hahaha - e o achava lindo. Um pouco diferente, exótico, alternativo... Mas muito charmoso. Ele aparentava ser da minha idade e ser bastante sério, então imaginei que pudéssemos ser bem parecidos, mas isso tornava um pouco difícil que nos conhecêssemos, até porque ele nunca havia sequer olhado para mim. Entretanto, num certo dia tive uma surpresa. Uma amiga minha estava sentada à mesma mesa que ele (cheia de sapatão) por eles terem algumas amigas em comum. Mais tarde, ela voltou a se sentar comigo e disse que ele havia lhe perguntado sobre mim. Queria saber quem eu sou. Hmmmm... Mas nessa época eu já estava namorando. Deve ter sido em algum final de semana em que o Ricardo viajou com seus pais, não lembro ao certo, mas, de qualquer forma, eu não estava interessado em ficar com mais ninguém, então não fiz nada a respeito. A não ser guardar a informação com cuidado na minha memória, né? Quero dizer, eu não iria me esquecer daquilo. Quem sabe um dia eu não estaria disponível e poderia aproveitar para procurar conhecê-lo?
Sabe, eu tenho uma coisa engraçada. Parece que, às vezes, quando algum rapaz chama a minha atenção, eu tenho uma espécie de pressentimento de que algum dia nossos caminhos ainda vão se cruzar. E que nós não vamos ficar só naquele flerte. Aliás, isso já aconteceu em ocasiões em que eles nem perceberam a minha presença, mas eu olhei para eles e senti que algum dia nós nos conheceríamos. E foi dito e feito. Acho que aqui não foi diferente.
Agora vamos à parte sem vergonha da história.
Não sei se vocês se lembram de eu ter contado, mas na semana anterior ao Natal, o Ricardo e eu tivemos uma briga feia. Ele falou comigo de um jeito que eu não gostei e, pela primeira vez, eu resolvi reagir. Deixei clara a minha insatisfação e ele não se preocupou em se retratar, então fui embora sem me despedir. No dia seguinte, eu não queria continuar brigado com ele. Eu sabia que o erro foi dele e que, se ele se importasse com o nosso relacionamento, ele me procuraria para conversarmos sobre o ocorrido. Mas eu também sabia que ele não se importava porra nenhuma. Eu sabia que, se dependesse dele, ficaríamos a semana inteira sem nos falar, até o sábado seguinte, quando ele me ligaria para terminarmos de vez - para o alívio dele. E o mais estúpido de tudo é que eu não queria deixar isso acontecer. Por mais idiota que esse cara fosse, eu estava apaixonado e não queria deixar aquele relacionamento doentio chegar ao fim. Então eu o procurei. Mandei uma mensagem pedindo desculpas pelo que coube a mim - ir embora sem me despedir - e perguntei se ele estava bem. Ele respondeu que não ficou com raiva, assumiu que também errou e disse que depois conversaríamos sobre isso. Ótimo, se realmente tivéssemos feito isso, mas ele preferiu ir conversar com uma amiga dele. Disse que não aguentava mais e que queria terminar, mas ela o convenceu a conversar melhor comigo antes. Então ele me procurou, às dez horas da noite de domingo, mas depois de saber que ele havia saído com ela ao invés de me encontrar, eu já havia feito meus próprios planos e não conversamos. A partir do dia seguinte eu decidi que não o procuraria mais, mas na quarta-feira ele me ligou chamando para sair com uma amiga dele que estava de passagem pela cidade. Aceitei o convite e naquele dia ele já passou a agir como se nada tivesse acontecido e como se não tivéssemos nenhum assunto mal resolvido para tratar, o que me deixou com um ódio danado! Como poderia ser tão sonso, gente? Ou tão indiferente?
No dia seguinte, vinte e três de dezembro, quinta-feira, ele mandou uma mensagem perguntando se eu já havia comprado seu presente de Natal e a que horas eu o buscaria para irmos à festa de fim de ano (e revelação de amigo secreto) dos meus amigos. Detalhe, não comprei presente nenhum e nem sabia se eu o levaria comigo à festa, mas decidi que daquele dia não podíamos passar sem ter, finalmente, uma conversa esclarecedora, então fui até a casa dele no período da tarde. Em suma, falei sobre a briga, sobre ele ter ido conversar com a amiga dele ao invés de conversar comigo e sobre varrer tudo para debaixo do tapete antes de resolvermos de fato a situação. Ele então explicou tudo o que o incomodou: disse que eu me ofendo demais por qualquer coisa, que ele sente que tem que pisar em ovos para falar comigo, que é normal o namorado levantar a voz para o outro de vez em quando, que é normal ser indelicado e rude e que eu é que devia abstrair essas coisas, não levar tão a sério, porque são atitudes momentâneas que não precisam terminar em discussão toda vez. Disse ainda que ele se acostumou a ser grosso e estúpido por causa de sua profissão e das pessoas para quem ele já trabalhou, mas que faria um esforço para ser menos, desde que eu também me esforçasse para não me ofender tanto, até porque ele já tinha problemas demais para se preocupar e não queria manter um namoro que só servisse para fazê-lo se preocupar mais ainda. Eu expliquei que não entrava na minha cabeça como alguém consegue tratar tão mal uma pessoa que supostamente ama, porque eu jamais falaria com ele do jeito que ele falava comigo, por simplesmente não conseguir, por sentir carinho demais - e me emocionei ao falar isso, ai que ódio, quase chorei. Ele então disse que eu penso que o fato dele fazer o que ele faz significa que ele não gosta de mim, mas que isso não é verdade, porque ele gosta, sim.
Desde que iniciamos a conversa - aliás, desde o começo daquela semana - eu sabia que o mais certo a se fazer era terminar aquela relação, mas naquele momento eu não consegui. Fiquei emocionado e com um pingo de esperança das coisas melhorarem, de ele realmente gostar de mim como dizia - apesar de que existe uma grande diferença entre eu dizer que sou apaixonado e quase chorar enquanto ele diz que "gosta" - e com medo de jogar fora um relacionamento que poderia ir longe se tentássemos mais um pouco... Então não terminei. Fizemos as pazes e ele me deu meu presente de Natal. Depois fizemos o melhor sexo de todos os tempos e fomos à tal festa. No dia seguinte, ele viajou para passar o Natal com sua família, no interior.
Portanto, decidimos continuar juntos. Mas eu sabia que nem tudo estava certo. Como eu falei, me deixei levar pela emoção, pela esperança, pela minha vontade de estar com ele. Mas nenhuma das desculpas que ele deu para justificar seu comportamento era realmente plausível. OK, ele gostava de estar comigo, mas isso não significa exatamente que ele me amava. Falar que é normal um namorado gritar com o outro? E ainda citar o exemplo da amiga dele que é casada há dois anos e vive em crise com o marido? Se nós estivéssemos casados há anos, talvez fosse normal mesmo, mas, gente, seis meses! Era pra estarmos na fase colorida ainda! Apesar de que, depois de um mês de namoro, como eu contei aqui na época, ele já falou que a paixão havia acabado e que agora o que ele sentia era amor. Belo amor, esse. Não, tava tudo errado! Desde o começo! E eu, tonto, não queria terminar. Eu sabia que sofreria, se terminasse. Então encontrei uma possível solução, o que seria o ideal: deixar de amá-lo.
Se eu deixasse meu sentimento morrer aos poucos, não iria sofrer tanto se o namoro acabasse. E como eu faria isso?
Bom, meu Natal foi assim: dia 24 foi uma sexta-feira e eu comemorei a data com a família do meu pai, à noite. Dia 25, sábado, comemorei com a família da minha mãe, durante o dia. E a noite, o que faria? Ainda era uma noite de sábado. E o namorado só voltaria de viagem no dia seguinte. Então, pronto.
É claro que eu ainda fiquei com um pé atrás. Valeria mesmo a pena? Logo depois de uma reconciliação? Ah. Decidi tentar.
Dia 25 de dezembro, à noite, liguei para a minha amiga Liz e ela falou que ia para o mesmo bar que frequentávamos, junto com vários outros amigos meus. Quando cheguei lá, vi que estavam na mesma mesa que outra turma que eu não conhecia, mas um deles era ninguém menos que quem? O Lucas.
Pronto, ali estava a grande oportunidade. Ele é bonito e já despertou meu interesse há muito tempo atrás. Ótima pessoa para eu ter um caso extraconjugal. Demorei um pouco, fui me enturmando, até que puxei conversa com ele. Percebi que ele não era exatamente como eu imaginava, principalmente por ser bem mais novo (dezenove anos), então nem me identifiquei muito, mas não me importei. Eu só queria beijar e beijei. Quando o bar fechou, pensei em ir embora, mas ele e outros amigos queriam ir para outro, então também fui e o levei comigo no meu carro. Foi aí que tudo mudou. No caminho, ele puxou bastante conversa e vi que ele, na verdade, é super gente boa. Além de tudo, descobrimos algo super em comum: estudamos no mesmo colégio a vida toda! Já pensou? Só não nos conhecemos porque, afinal, ele estava uns quatro anos atrás de mim. Quando chegamos ao outro bar, jogamos sinuca, conversamos, nos beijamos mais e foi ótimo. Meu único medo era que ele criasse expectativas e ficasse ansioso para me ver de novo depois, como sempre acontece. E como eu estava namorando, dessa vez é que não poderia mesmo!
Porém, no fim da noite, o Lucas me surpreendeu. Quando nos despedimos, ele me deu um beijo e falou "até qualquer dia". Sem trocar telefone e nem nada. Achei ótimo. Valeu muito a pena. Fui para casa dormir e no dia seguinte reencontrei o Ricardo.

6 comentários:
nuss... me arrepiei com o final e fico feliz que esteja bem, como também estou depois desses nossos namoros loucos, né??! rs
porém já tô subindo pelas paredes, colegal. já são QUATRO meses sem sequer dar uns beijinhos em alguém. BUÁÁÁ!...
nessa quinta-feira viajarei a aracaju pra ver o show de pitty e espero eu que possa receber um "até qualquer dia" de alguém por lá. tô necessitado!
um cheiro, homem!
e que venham mais posts com o senhor lucas, rs.
Adoro! Adoro! Adoro! huahuahua
esse blog é uma
delicia de ler
agora, conta mais....
Amigo, acho digno!
.
E essa sensação de que você irá cruzar acontece exatamente comigo, eu diria que é explicável até cientificamente pela física quântica. As pessoas sempre voltam pra mim, e quando digo isso parece arrogância e tá-se-achandismo, mas é a mais pura física.
.
Basta você acreditar, mesmo que este papo seja meio "O segredo"...
.
E é uma delicia que nos encontremos depois, sempre mais madura e experiente, eu diria preparada, a chance de ser melhor que se fosse antes, são dobradas...
Por aqui só avisar que já mudei de endereço:
http://blogayconversafora.blogspot.com/
Seu blog é realmente excelente: parabéns pela criatividade... to seguindo a partir de agora!! Abcs!!
Postar um comentário