Faz tempo que não comento nada sobre os meus concursos, né? Até tive novidades nos últimos tempos, mas só conseguia pensar em escrever sobre os meus dramas pessoais, hahaha, mas vamos lá.
Como contei anteriormente, passei em primeiro lugar para um cargo de nível médio de um órgão de comunicação do Estado e pensei que a vida já estava feita, que seria isso e pronto. Uma semana depois, porém, descobri que também fui aprovado em uma boa colocação no concurso da Caixa Econômica Federal. É claro que fiquei feliz, mas me vi diante de uma decisão importante a ser tomada: qual dos dois escolher? Passei um bom tempo pensando nos prós e contras de cada um, que tentarei apresentar de forma resumida a seguir.
O órgão estadual tem a ver com a minha área de formação e provavelmente me propiciaria adquirir conhecimento, experiência e ainda um trabalho do qual eu fosse gostar, enquanto o da Caixa é bem técnico a princípio. Entretanto, a Caixa oferece plano de carreira, portando eu poderia ser promovido e até chegar a trabalhar na área de comunicação também, enquanto no órgão estadual eu provavelmente ficaria empacado naquele cargo de nível médio para o resto da vida. A remuneração é praticamente a mesma, mas no regime estatutário do Estado eu não recebo nenhum outro benefício, enquanto a Caixa oferece vales transporte, alimentação e outros benefícios como - o melhor deles - participação nos lucros, sem falar que a carga horária é menor. Além disso, a Caixa é uma empresa pública federal, outro nível, e ainda com possibilidade de transferência para qualquer lugar do país. Dessa forma, a Caixa saiu na frente (até porque trabalhar com dinheiro também não deve ser ruim, até gostei muito de estudar conhecimentos bancários para a prova do concurso) e passou a pesar mais na minha decisão. Porém, eu gostaria de tomar posse no órgão estadual antes para conhecer de fato como seria meu serviço ali (até então, eu me limitava a suposições), para fundamentar melhor a minha escolha.
Conforme meus planos, fui convocado pelo órgão estadual antes e tomei posse no começo de setembro, ansiosíssimo para entrar em exercício, mas só faria isso na metade do mês, depois que prestasse um último concurso (este para um cargo de nível superior em um baita órgão federal, pelo qual eu largo qualquer um dos dois primeiros se eu for aprovado e nomeado). Estava ansioso também pelo meu primeiro salário, é claro, já que estou há dois anos sem receber um, o que me deixa atualmente em uma condição financeira quase miserável (como eu me virei durante esse período é uma história longa que mereceria um post exclusivo, mas não vem ao caso agora).
Enfim, tomei posse no dia primeiro, fiz a prova no dia 11 e comecei a trabalhar no dia 13, junto com outro rapaz que passou para o mesmo cargo que eu (e ficou em segundo lugar, é claro). Na verdade eu já o havia conhecido antes, pelo orkut, no fórum da comunidade dos aprovados no concurso, e depois pessoalmente, no dia da perícia médica de nossos exames admissionais. Ele é gente boa, um pouco mais velho, casado, tem filho e já trabalha há algum tempo com revisão de textos e livros, inclusive já trabalhou em editoras.
Quando fomos levados à sala do nosso departamento, tivemos um susto, mas vamos por partes. Em primeiro lugar, é uma sala bem grande, mas quase vazia. Havia uma mesa enorme no lado direito, um pranchão, com pouquíssimas coisas em cima e uma única pessoa sentada próxima a ela. Uma mulher bem engraçada que tem o mesmo nome de um ex-relacionamento meu, o que quase me matou de rir, pois apesar de ser um nome atípico, na minha cabeça sempre foi nome de homem. Foi essa mulher que nos deu o susto, ou melhor, o choque de realidade.
Depois que fomos devidamente apresentados, inclusive às outras duas pessoas na sala (um cara mais velho que escorava na janela e uma moça mais jovem que acabara de se levantar de uma cadeira no canto, onde utilizava seu notebook ligado à única tomada da sala), nos sentamos para conversar. A tal mulher então nos explicou como funciona o departamento:
- O serviço aqui é bem tranquilo, até demais. O pessoal da sala ao lado traz o material por volta de onze horas e a gente faz o que precisa até a hora do almoço e depois passa pra frente... Então nosso tempo de trabalho mesmo, ao longo do dia, é de só uma hora, no máximo.
*Bang!*
Pois é.
Não foi exagero da parte dela. Já trabalhei por uma semana e mais um dia e tudo o que temos para fazer é isso mesmo o que ela disse. Na parte da tarde, ficamos à toa.
Em compensação, o órgão tem uma academia que podemos utilizar no horário do expediente, basta eu conseguir um atestado médico antes. Enquanto isso, levo meu computador para assistir a séries, jogar joguinhos, tratar imagens ou então leio algum livro. Parace uma vida boa, né? Ser muito bem pago para fazer passatempos. Mas na verdade é um pouco agoniante, não gosto de ficar desocupado. Já dizia Freud que o trabalho é o que dá sentido à vida, não é isso? Então, se o trabalho é não fazer nada, não conta.
Além disso, desse incômodo, entra a questão de que esse cargo empaca a vida de qualquer um. Não é um trabalho no qual a gente aprende algo novo todo dia, não exige intelecto, aprimoramento. É o mesmo serviço todos os dias, quase braçal. Imagina o dia em que eu me cansar de ficar à toa e resolver procurar emprego em outro lugar, que bagagem profissional eu poderei falar que tenho? Nenhuma.
Então agora é certo, estou louco para ser convocado logo pela Caixa Econômica Federal. Não preciso nem pensar duas vezes para largar meu cargo atual e partir para lá. Fico imaginando a delícia que deve ser o estresse dentro de uma agência bancária, as tarefas, as metas, o contato com o público, os colegas, as expectativas para o futuro, tudo. Sério, estou sonhando.
Ou, se eu der muita sorte, quem sabe o cargo de nível superior no órgão federal do concurso que fiz na semana passada? Conferi minha pontuação hoje e até que me saí razoavelmente bem, só não tenho nem idéia de como se saíram meus concorrentes. Na redação, talvez eu tenha alguma vantagem, mas não sei ao certo. Bom, não quero ficar confiante demais e nem de menos, vamos esperar pra ver o resultado. Se eu passar, fabuloso, se não, terei a Caixa em breve e outros concursos no futuro. E por agora, o órgão estadual. Colocar em dia as séries que não consegui acompanhar e terminar de selecionar e tratar algumas fotos que quero mandar revelar. E depois, malhar, é claro! Ficar gostosão. Enquanto aguardo a abertura de novas portas.
Bom, é isso. Eu iria ainda contar uma história tragicômica que aconteceu hoje no trabalho, mas chega, né? Já escrevi demais, fica pra próxima. Se na próxima eu não voltar a desabafar sobre meu namoro, é claro. Mas depois eu conto. Beijos.
PS.: Ah! Hoje eu quero abrir um espacinho para agradecer pela companhia de todos os leitores aqui do blog. Tanto aos que comentam quanto aos que só visitam. Panda, Pablo, Renato, Eric e os amigos também blogueiros. Saber que alguém se interessa pelo que eu escrevo me faz muito bem, dá todo o sentido para o que eu faço com tanto prazer enquanto na vida lá fora a maior parte do que eu faço é só por necessidade. E ainda há muito mais por trás disso, mas que eu precisaria elaborar em um texto maior, rs. Um dia eu explico, mas por hoje fica só um verdadeiro obrigado!
5 comentários:
É chato mesmo ter um trabalho em que não há o que fazer. Deve dar uma angústia. Eu tb ficaria com o outro trabalho! Espero que te chamem logo!
Beijos!
Ps, é bacana né saber que tem gente que gosta do que a gente escreve... :)
Eu fico pensando comigo: qual é o sentimento de se passar em um concurso público.Deve ser muito bom - ainda acho que bom deve ser pouco.Falei de você pra uma colega de cursinho e ela ficou super empolgada com o seu sucesso profissional - por ter passado nos concursos sendo um deles, em 1º lugar.
Eu adoro ler o blog, tanto que entro aqui várias vezes ao dia.
Eu que agradeço por você Renato, compartilhar conosco os seus "devaneios" - se assim podemos dizer.
É por favor, não nos abandone, rsrsrs
You're welcome! Continue escrevendo pq no minimo é engraçado ver alguns absurdos que acontecem com vc kkkkkk . Realmente muita gente fala que quer ser aprovado na Caixa mesmo pq ela da condições para crescer. De resto vc pode muito bem continuar fazendo concursos foi muito bem agora pq não pode continuar? Vc vai acumulando conhecimento. Ah! Assista Glee! É perfeita! Morro de rir com aquela coisa de humor negro e com os comentarios da Sue Sylvester sobre o cabelo do Mr. Shue! É ótimo para os momentos de tédio!
Nós que devemos agradece à você por escrever - e muito bem - no seu blog, Renato. Adoro ler seus posts. Cada um melhor que o outro!
Pelo jeito você gosta de desafios, né? Creio que o cargo da Caixa será mais interessante para ti, então. Espero que ele, realmente, supere suas expectativas e te faça bem. E é claro, se for possível, que você consiga se sair bem nesse outro concurso para o cargo de nível superior. Desejo-lhe sorte.
Reforçando o que o Pablo disse: Por favor, não nos abandone!
amore e como vai o namorado?
vc nao falou mais
bjs
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