No dia 22 de outubro de 2006, domingo, véspera de feriado prolongado pelo feriado local do aniversário de Goiânia, minha amiga e eu resolvemos ir a uma boate para dançar e eu logo avisei que naquele dia não estava a fim de ficar com ninguém, só queria sair e me divertir com ela.
Entretanto, um rapaz gatíssimo começou a me encarar na pista e, apesar de eu ter evitado contato visual por um bom tempo, ele insistiu em vir falar conosco, até que nos beijamos. Um beijo super gostoso. Ficamos juntos ali até o fim da noite, quando ele me ofereceu uma carona e foi assim que eu tive minha primeira relação sexual.
Essa é uma história que, como todas as que eu vivi antes dos vinte anos de idade, só guardo na memória por dois motivos:
1. Por não conseguir esquecer.
2. Para me lembrar de como eu era perdido e de como eu nunca mais devo agir de novo.
Entretanto, sempre que eu revejo esse rapaz na balada, sinto que gostaria muito de conhecê-lo de novo, quero dizer, com a maturidade e com a segurança que eu tenho hoje. Queria pelo menos trocar uma idéia sobre o que vivemos naquela época.
Nós chegamos a sair juntos algumas vezes, depois da noite em que... Em que nos conhecemos. Mantivemos contato por umas duas semanas, mas era óbvio o abismo intelectual entre nós. Eu tinha acabado de sair da adolescência, não tinha nada na cabeça e não sabia conversar. Ele era mais velho, formado, trabalhava... Mas também não parecia se importar muito, estava mais preocupado em trepar. Todos os nossos encontros acabavam em sexo e eu detestava, mas não admitia. Nunca sequer cogitei lhe dizer que ele era o meu primeiro. E sem muito assunto, um dia ele simplesmente não me ligou mais e nem eu liguei pra ele. Nos esbarramos por aí de vez em quando, mas só nos cumprimentamos educadamente.
O que eu percebo hoje é que tive uma experiência importante na minha vida, compartilhada com uma pessoa com a qual eu nunca sequer conversei a respeito. Quando o vejo por aí, sinto que gostaria de que ele soubesse um pouco mais sobre mim, que eu sou uma pessoa legal. Queria que tivéssemos uma relação madura, mesmo que só de amizade ou nem isso, que pelo menos nos conhecêssemos de verdade. Se o primeiro homem com quem eu fiz sexo não for mais um total estranho, talvez a lembrança daquela noite deixe de ser tão perturbadora. E se eu mostrar que cresci e que não sou mais bobinho como naquela época, talvez me sinta menos culpado.
Ontem foi uma dessas ocasiões em que a gente se esbarra. Eu estava em uma festa num clube e percebi que ele tinha acabado de chegar, estava a alguns metros atrás de mim conversando com amigos. Lindo como sempre. Quando passou perto, me olhou um pouco inseguro, mas eu olhei pra ele também, então sorrimos. Nos cumprimentamos a distância, mas ele resolveu se aproximar. Nos abraçamos, perguntamos se tá tudo bem e de repente ele me surpreendeu: comentou que eu havia tirado a barba e que ele sempre vê minhas fotos quando abre o Windows Live. Uau. Nunca imaginei que ele ainda prestasse atenção em mim, rs. Sempre achei que eu fosse insignificante na história dele.
Em seguida ele comentou que tá morando no interior a trabalho e eu perguntei se continua na mesma empresa, citando até o nome, para mostrar que eu me lembrava. Conversamos mais um pouco e ele foi pro meio da festa.
Fiquei muito feliz, sentindo que ele ainda se interessava por mim e que naquela noite eu poderia finalmente me redimir. Fiquei eufórico!
Mais tarde ainda nos cruzamos algumas vezes e sempre nos olhávamos e sorríamos. Eu achava inacreditável que aquele dia havia finalmente chegado, pensava no quanto foi bom eu ter ido parar naquela festa. Sabia que era uma questão de tempo e que até o fim da noite já estaríamos juntos de novo.
Mas eu gosto de uma confusão, não gosto?
De meter o pé na jaca, não gosto?
De jogar tudo pela privada...
Então fui bebendo, bebendo...
E no calor do momento, fiquei com o melhor amigo dele.
#Fail
2 comentários:
Nossa Renato..
Me identifiquei muito com sua história..na minha primeira vez aconteceu mais ou menos isso! era bobinho e fui muito no impulso..o cara nem era muito mais velho, mas era bem 'vivido'..digamos assim..e toda vez q nos encontravamos terminava em sexo e eu detestava tbm..queria conversar..e tal..conhecer ele melhor..mas parecia q não surgia essa oportunidade! depois de umas semanas paramos de nos ligar e ficou por isso msmo..encontro ele as vezes..soh q não teve uma festa dessa ainda pra gente se acertar ou pra jogar tudo pela privada como aconteceu contigo..=/
(confesso que foi mega estranho te chamar de 'Renato'..kas kas kas)
adorei o modo como tu escreve Renato. é tão mais facil escrever que falar que a gente acaba se soltando mais. sério, (mesmo revoltando com o fim da historia) amei o que eu li.
confesso que foi mega estranho te chamar de 'Renato'+1 hahahaha
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