domingo, 13 de dezembro de 2009

Razão e Afeto

Hoje tivemos o tradicional almoço de domingo na casa da minha avó paterna, mas acabou em discussão. Quando surgiu o assunto sobre o casamento de um tio meu que terminou em separação há mais de vinte anos atrás, quando ele arranjou uma amante, minha avó comentou que a esposa dele era a culpada por nuca estar em casa, não fazer a janta e, enfim, não cumprir o papel de dona de casa. Nisso, a esposa do meu primo ficou indignada, dizendo que nada justifica traição e de repente as duas começaram a discutir feio sobre isso! Eu, meu pai, meu tio e meu primo até achamos engraçado no começo, mas de repente a coisa ficou séria e minha prima foi embora com raiva.

Nisso eu fiquei pensando: que assunto mais bobo para se ter uma briga em pleno almoço de domingo em família, não? Ainda bem que eu não sou de brigar com ninguém. No lugar dessa minha prima, por mais que discordasse da minha avó, que influência a opinião dela teria na minha vida? Nenhuma. Eu respeitaria, até por se tratar de um conflito de gerações, ficaria quieto.
Como fiz ontem, em outra ocasião, quando minha avó materna veio palpitar sobre minha vida profissional e algumas decisões que tomei nos últimos meses. Fiquei incomodado, mas deixei ela falar e ignorei. Entrou por um ouvido e saiu por outro.

Nunca fico batendo boca, muito menos em situações em que percebo que a outra pessoa está inflexível. Eu não sou assim, se percebo que meu ponto de vista pode estar equivocado, tenho a humildade de rever minha opinião, mas sei que a maioria das pessoas não tem esse raciocínio. Então deixo elas pensarem o que quiserem. Se estiverem fazendo algo errado, vão acabar prejudicadas por isso algum dia. Se não querem me ouvir, não posso fazer nada.

Desse jeito é bom que eu nunca brigo com ninguém, sou a pessoa mais pacífica do mundo.
Por outro lado... Às vezes acho que debater idéias, mesmo que de forma fervorosa, faz parte do desenvolvimento das relações humanas e da própria afirmação da identidade de um indivíduo na sociedade. Quero dizer que as pessoas que defendem com mais garra seu ponto de vista acabam se impondo mais e têm mais chances de conquistar pessoas e oportunidades, principalmente no mercado de trabalho. Enquanto eu, com meu excesso de razão, com minha postura neutra e meu comportamento introvertido e blasé, acabo muitas vezes passando despercebido.

Então será que não seria mais válido fazer aloka e brigar mais pelo que eu acredito, mesmo quando isso pode significar dar origem a desafetos e crises familiares? Poxa, mas brigar é tão chato.

2 comentários:

Marion disse...

Rê, eu muitas vezes fico na minha quando aparece algum assunto polêmico e que eu sei que o meu ponto de vista vai gerar choque ou deixar alguém indignado. Só entro no debate quando alguém fala algo que me deixa p. da vida mesmo, mas confesso que se estou com preguiça de brigar prefiro ficar no meu canto. Pois em geral isso não leva a nada mesmo. Tenho preguiça de brigar como vc( deve ser do signo ! ahaha). Mas tem alguns assuntos que a gente tem que comprar a briga.Tem coisa que não dá para fugir.

Beijos

panda disse...

"Quero dizer que as pessoas que defendem com mais garra seu ponto de vista acabam se impondo mais e têm mais chances de conquistar pessoas e oportunidades, principalmente no mercado de trabalho" Fiiiii de onde c tirô essa? Rs.... Eu fui brigona demais e já defendi vários pontos,assim como meu pai e muitas pessoas da familia e conhecidas, eu era inflexível e isso é ruim e não tenho emprego! Nem nunca me gerou nada! Também nunca vi isso, acho um enorme dom o seu de separar as coisas. Como quero ser assim! Porque me evitaria muitas brigas rs.. A paz de espirito e melhor que tudo. Agora se vc acha que deve falar mesmo fale, muitas vezes é importante dar a opinião porque vc acaba ajudando alguém que tá cego e não percebe o que faz. Debates abrem muito a mente pra ver vários lados mesmo, mas o problema da maioria de nós, seres humanos é que começamos a brigar até sem ver. Aí né já viu..agressões verbais, físicas, gente magoada... Li um ótimo livro que fala sobre o EGO e fala sobre isso chama-se O PODER DO AGORA, parece ser muito espiritual né? Mas o que tem de cientifico é imenso. O autor(que era um professor, típico defensor de idéias) teve um colapso e aprendeu muito sobre essa necessidade de ter a razão, nesse livro ele denominou isso como uma coisa do Ego e que isso na verdade não pertence a nós. Se interessar dê uma lida.